Moody's pode mexer hoje no rating de Portugal. Eis o que se prevê
A Moody’s vai avaliar, esta sexta-feira, a dívida soberana portuguesa, uma semana depois da DBRS, e os analistas ouvidos pela Lusa antecipam a manutenção da classificação, mas pode surgir uma melhoria da perspetiva.
Henrique Tomé, analista da Xtb, sinalizou que espera que a agência de notação de risco “mantenha a classificação para Portugal inalterada, apesar de os riscos associados à incerteza económica e geopolítica continuarem elevados”.
“Ainda que esta agência seja a mais conservadora de todas, é preciso lembrar que as outras agências já veem o rating de Portugal em patamares superiores. Devemos salientar o estatuto consolidado de Portugal enquanto país credível a nível europeu, um facto materializado na capacidade do país em se financiar nos mercados a custos inferiores aos de economias principais como França, Espanha e Itália”, salientou.
Já Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, também apontou que a “conjuntura geopolítica atual tem pressionado a inflação a nível global, forçando os bancos centrais a rever as suas políticas monetárias na direção de uma subida das taxas de juro”, enquanto estes procuram ser “suficientemente cautelosos para não comprometer o crescimento económico, que tem vindo a ser revisto em baixa”.
“Apesar de Portugal continuar num ciclo de desalavancagem, com a dívida pública em trajetória descendente – fator com peso relevante na avaliação da Moody’s -, tal poderá ainda não ser suficiente para despoletar uma subida de rating”, admitiu.
No que diz respeito às perspetivas, “parece plausível assistirmos a uma melhoria do outlook, num cenário em que a dívida deverá continuar a cair, embora a um ritmo mais lento, aliada a um crescimento mais moderado e a uma despesa estrutural mais elevada”.
Henrique Tomé apontou, por sua vez, que a Moody’s poderá alertar para os riscos associados ao aumento dos preços da energia que, “além de exercerem novas pressões sobre a inflação, podem também ter impacto em economias onde o peso do turismo é relevante, como é o caso da portuguesa”.
“Um cenário de deterioração das receitas provenientes do turismo, em simultâneo com a persistência das pressões nos preços e o risco de o BCE agravar as taxas de juro, poderá contribuir negativamente para que a Moody’s seja mais conservadora em relação ao rating da economia nacional”, concluiu.
Em novembro do ano passado, a Moody’s manteve o rating de Portugal em A3 e o outlook estável. Esta será a primeira vez que se pronuncia sobre a dívida portuguesa este ano.
Já a DBRS já se pronunciou duas vezes sobre o ‘rating’ de Portugal este ano, depois de em janeiro ter sido a primeira agência de notação financeira a avaliar a dívida soberana, deixando inalterada a classificação. Na semana passada, melhorou a perspetiva de estável para positiva.
A S&P, em fevereiro, e a Fitch, em março, mantiveram a classificação, mas melhoraram a perspetiva para positiva.
O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito.
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