Cristina Clara anuncia um novo álbum com <i>Bonança</i>, em dueto com António Zambujo
Depois da sua estreia com o álbum Lua Adversa, em 2021, a cantora e compositora Cristina Clara, tem actuado em diversos palcos, actuando mais recentemente nos Estados Unidos (em Washington), Bélgica e Viena de Áustria, e com espectáculos marcados em várias cidades do Brasil (em Junho) e um concerto em Sófia, Bulgária, no A to Jazz Festival (em Julho).
Neste percurso, começou já a trabalhar num novo álbum, previsto para Outubro deste ano. E estreia esta sexta-feira um primeiro tema desse trabalho, a que deu o nome de Bonança. Com letra dela e música do Fado Alexandrino Antigo (de Armandinho), a gravação foi feita em dueto com António Zambujo, com Edu Miranda no bandolim e cavaquinho, Pedro Loch na guitarra, Rolando Semedo no baixo eléctrico e Joel Silva na percussão, além de um coro composto por Afonso Pinto, Diana Valente Perfeito, Madalena Raimundo e Rui Aires.
A criação de Bonança (que se estreia com videoclipe) teve origem num episódio vivido por Cristina Clara, que o relata desta forma num texto escrito para acompanhar o lançamento: “Em 2020 deixei a minha casa em Benfica e mudei-me para o Porto. Em parte porque a voz do outro lado do telefone me soou a casa, em parte porque Lisboa já não parecia sê-la. Esta parecia a saída limpa. Uma boa proposta de trabalho, horários menos tumultuosos e um Norte à minha espera. Cheguei ao Porto numa noite de chuva – a invicta tem a franqueza brutal dos seus nativos – e me iludiu, ainda que fosse Agosto. Choveu muitas vezes. Com o passar dos dias as ruas esvaziadas pela distopia pandémica foram-se ensolarando. Descer a 31 de Janeiro para só parar na Ribeira tornou-se um ritual. Alguma vez viram a Ribeira deserta? Juro, é um poema. Dois anos passaram e conheci gente que entrou à vontade nos meus dias para nunca mais sair (tenho certeza), aprendi coisas extraordinárias como cozinhar em placa de indução, tocar tracanholas ou usar o Excel. Tinha tempo, tinha-me a mim e uma missão de resgate em curso. Choveu muito mas, quando ia à varanda do 3.º andar do meu prédio onde fui única habitante durante 2 anos, olhava para a parede grafitada do antigo cinema erótico e lia: ‘depois da tempestade, vem a bonança’. Ei-la.”



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