Nuvem Vitória. Ler histórias à noite (e levar casa) a crianças internadas

Nuvem Vitória. Ler histórias à noite (e levar casa) a crianças internadas

Nuvem Vitória. Ler histórias à noite (e levar casa) a crianças internadas


Contar histórias… é a premissa da Nuvem Vitória, que foi criada há 10 anos, depois de Fernanda Freitas, fundadora e presidente executiva da associação, ter partilhado a ideia com a diretora de pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Assim, todas as noites, um grupo de voluntários desloca-se a diferentes hospitais para narrar histórias às crianças que estão internadas.

Ao Notícias ao Minuto, Fernanda Freitas revelou que a ideia para criar a Nuvem Vitória “surgiu num momento de inspiração”, uma vez que era “contadora de histórias durante o dia”. Desde então, o feedback que tem recebido “não poderia ser melhor”.
Afirmou ainda que fazer parte deste projeto “é um sentimento incrível” e que, no fim do dia, as histórias contadas trazem também um “pouco de normalidade” às crianças que se encontram hospitalizadas.
Atualmente, o projeto Nuvem Vitória está já em 15 serviços hospitalares de pediatria do país e tem como objetivo “chegar a mais unidades”, o que poderá acontecer em breve. 
Fernanda Freitas, recorde-se, é uma jornalista portuguesa, tendo trabalhado na RTP e SIC. Em 2016, fundou a Associação Nuvem Vitória que foi reconhecida com o Prémio Cidadão Europeu 2023 atribuído pelo Parlamento Europeu. 
Como é que surgiu a ideia de criar a Associação Nuvem Vitória, um projeto para narrar histórias, durante a noite, às crianças internadas? 
Surgiu no momento de inspiração. Eu era contadora de histórias durante o dia e, a certa altura, apercebi-me de que, de facto, muitas pessoas gostavam de fazer o mesmo trabalho, mas não tinham hipótese durante o dia e, por outro lado, as crianças gostam muito de ouvir histórias à noite.  
Em 2016, e em conversa com a diretora de pediatria do Hospital de Santa Maria, fizemos um exercício em que idealizámos fazer um projeto piloto em que testássemos esta ideia: porque não ter um grupo de voluntários que todas as noites lê histórias de embalar às crianças internadas?
Felizmente, a ideia foi bem acolhida por todo o hospital e foi assim que nasceu a nossa associação.
Como é fazer parte deste projeto? 
É um sentimento incrível. Podemos ter um dia muito complicado, mas sabemos que, chegamos a um hospital, vestimos a nossa t-shirt e, a partir daí, encarnamos mesmo o papel de NUVEM.
Somos leves, descomplicamos, trazemos a serenidade e a boa disposição a cada quarto. E, quando saímos do hospital, de facto, o nosso dia mudou para muito melhor e temos a certeza de que a noite de quem fica internado também melhorou um pouco.
Depois, tenho o “chapéu” de presidente executiva que me traz uma sensação de propósito inacreditável sempre que recebemos mensagens dos cuidadores e dos próprios voluntários, que todas as noites guardam uma nova coleção de memórias.
Que feedback têm recebido ao longo destes últimos anos? 
O feedback não poderia ser melhor. Tanto da parte dos profissionais de saúde, como dos pais e cuidadores e, claro, das próprias crianças que, muitas vezes, ficam à nossa espera para ouvir a história antes mesmo de adormecer. Sentimos que de facto contribuímos para que o ambiente à noite seja um bocadinho mais familiar.
Houve algum momento que a tenha marcado enquanto voluntária?
Cada um dos voluntários terá as suas histórias. Eu vou lembrar-me sempre de uma menina que, graças às nossas histórias, conseguiu trabalhar a sua respiração de forma a não precisar de dormir com uma máscara de oxigénio. Ou daquela criança que, segundo o pai, não sorria há dias e que quando acabou a história estava com um sorriso de orelha a orelha!
Sente que depois de um dia de tratamentos, a narração de histórias traz normalidade às crianças?
Sim, a ideia inicial sempre foi essa. Trazer um pouco da normalidade que as crianças têm na sua casa: deitar, ter uma história, baixar as luzes, serenar e adormecer. Sabemos que é positivo do ponto de vista da saúde da própria criança. 
Aliás, existe um estudo que comprova que o cortisol (hormona do stress) desce, quando uma criança ouve uma história.
Nuvem Vitória© Associação Nuvem Vitória
De momento, segundo o vosso site, existem 1.300 voluntários. Há muita gente a querer fazer parte deste projeto? Há algum limite? 
Felizmente, temos imensa gente interessada em fazer parte do projeto. O único limite que colocamos é a idade de entrada – 21 anos. Depois, as limitações que podem existir estão relacionadas com a exigência do próprio trabalho, ou seja, são necessárias dar quatro noites por mês, em que estamos cerca de três horas em pé a circular pelos corredores e quartos das pediatrias.
E o que é preciso fazer para se tornar voluntário desta associação?
Tem de identificar-se com a causa, ter muito sentido de compromisso e adorar contar histórias. Mas, diria que, acima de tudo, tem de ter muita paciência. Cada abertura num novo hospital demora algum tempo, tendo em conta todas as regras que temos de seguir para abrir um novo núcleo. Por isso as pessoas por vezes têm de esperar mais do que três ou quatro meses.
A Associação Nuvem Vitória está presente na unidade pediátrica do IPO de Lisboa. O projeto está também presente em outros hospitais, incluindo alguns mais a norte do país. Têm como objetivo chegar a mais unidades hospitalares?
No total, já estamos em 15 pediatrias e o objetivo é chegar a mais unidades. Já temos o pedido formal de mais seis hospitais, que iremos abrir nos próximos tempos.

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