Tricô, croché, bordado: os <em>hobbies</em> de avós podem salvar-nos dos ecrãs? — Como Assim
Num espaço de cowork em Lisboa, há um conjunto de mesas ocupadas por linhas, agulhas e pedaços de tecido com desenhos a preto e branco. À volta, um grupo de pessoas na casa dos 30 e 40 anos tenta aprender a bordar.Cada uma tem um kit já preparado: pano, agulha, linhas. E, ao lado, uma “avó” explica por onde começar, corrige pontos, sugere ideias, elogia progressos.O ritmo é lento. Há chá, há bolachas. E há conversa que rapidamente vai para lá do bordado.O cenário podia pertencer a outra época. Contudo, a realidade é actual.Este evento é organizado pela The Manual Break, uma associação criada precisamente com essa ideia: abrir espaço, na rotina, para fazer coisas com as mãos — e, ao mesmo tempo, criar contexto para isso acontecer em grupo.A premissa é simples: parar um pouco, desligar de um dia-a-dia fragmentado, e dedicar tempo a uma actividade manual.Este não é um caso isolado. Nos últimos anos, em Portugal, têm-se multiplicado iniciativas deste género: workshops, encontros informais, cursos, eventos pontuais e até retiros dedicados a práticas como cerâmica, costura, bordado ou carpintaria. Em muitos casos, com listas de espera.Ao mesmo tempo, há sinais de que estas práticas estão a ganhar nova visibilidade.Plataformas como a Etsy têm registado um aumento na procura por produtos têxteis feitos à mão, com o croché e o tricô a surgir como tendências em crescimento, em particular entre públicos mais novos.Mas este fenómeno vai além da estética.Durante grande parte do século XX, estas eram actividades movidas pela necessidade: fazia-se roupa, reparavam-se peças, produziam-se objectos para uso quotidiano.Hoje, surgem em contextos muito diferentes — como forma de lazer, de descanso, de expressão criativa.Mas Como Assim?O que leva cada vez mais pessoas a procurar este tipo de actividades?Porque é que surgem agora e por que razão atraem tantas pessoas que cresceram longe destes saberes?E o que é que isto nos diz sobre a forma como estamos a ocupar — ou a tentar recuperar — o nosso tempo livre?Neste episódio, partimos de um destes workshops para tentar perceber o que está por trás deste regresso às coisas feitas com as mãos.E, no caminho, aprendemos a bordar. E a tricotar.Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira, no Spotify, na Apple Podcasts ou noutras aplicações para podcasts.Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt.



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