Montenegro diz que "Europa deve tomar iniciativa" de negociar com Rússia
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta quarta-feira que a “Europa deve tomar a iniciativa” de negociar o fim da guerra na Ucrânia também com a Rússia e não ficar “eternamente dependente da intermediação” de outros países.
“Um processo de paz na Ucrânia carece também de sentar à mesa a Rússia. E a Europa não pode estar eternamente dependente da intermediação de responsáveis, que com todo o empenho, seguramente, e com todo o mérito, têm diligenciado no sentido de garantir uma paz justa e duradoura na Ucrânia”, afirmou em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.
Para o primeiro-ministro, a “Europa deve tomar a iniciativa de fazer o estabelecimento desse diálogo com as partes envolvidas, com a Ucrânia e também com a Rússia”.
“Essa é forma de podermos, efetivamente, alcançar um processo de paz que possa configurar uma nova etapa e nos possamos concentrar na reconstrução da Ucrânia e no restabelecimento das condições de paz e segurança na Europa”, acrescentou.
As declarações de Luís Montenegro surgem após o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ter afirmado que é “positivo” que a Europa já tenha a perceção que, mais cedo ou mais tarde, será necessário negociar com a Rússia.
“O que é positivo é que eles [os representantes europeus] falam sobre a necessidade de alguém que conduza negociações. Eles próprios percebem que, com o tempo, será necessário negociar, mas isso ainda não chegou a passos concretos”, disse Peskov, citado pela agência de notícias russa TASS.
Ainda assim, o porta-voz do Kremlin acusou a União Europeia de estar a simular o desejo de negociações com a Rússia, enquanto incentiva Kyiv a continuar a guerra.
Segundo Peskov, a arquitetura da Europa terá de ser discutida e “não é possível fazê-lo sem a participação dos europeus”.
O processo de negociações com a Europa ainda não começou, “embora a dinâmica dos acontecimentos seja elevada”.
“Vamos ver o que acontece com esta pausa que surgiu no processo das negociações ucranianas e da resolução do conflito. Vamos ver quando essa pausa termina e como o processo de negociações continua. Só depois disso será possível tirar conclusões.”
Sublinhe-se que a invasão da Ucrânia ordenada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, mergulhou a Europa no pior conflito militar desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com um número por determinar de baixas militares e civis. A guerra causou também milhões de deslocados internos e de refugiados.
Para terminar a guerra, Putin reivindica, entre outras condições, o reconhecimento da soberania russa em cinco regiões ucranianas e garantias formais de que a Ucrânia nunca será membro da NATO.
A Ucrânia rejeita tais condições e exige a retirada das tropas russas do território ucraniano, incluindo da Crimeia ocupada desde 2014, e garantias de segurança face a futuras agressões de Moscovo.
Kyiv tem recebido ajuda financeira e armamento dos aliados ocidentais para combater a invasão russa. A Ucrânia fez parte da União Soviética, o bloco político e militar controlado pela Rússia que se desintegrou em 1991.
O conselheiro presidencial Dmytro Lytvyn negou que Volodymyr Zelensky esteja a planear mais “dois a três anos de guerra”, acusando a revista The Economist de repetir uma “velha narrativa”. Kyiv afirma que o foco são os “próximos seis meses, até novembro”.
Márcia Guímaro Rodrigues | 17:18 – 27/05/2026



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