Detido por comentário sobre Charlie Kirk recebe indemnização de 700 mil €

Detido por comentário sobre Charlie Kirk recebe indemnização de 700 mil €

Detido por comentário sobre Charlie Kirk recebe indemnização de 700 mil €


As autoridades do Tennessee, no Texas, Estados Unidos, vão indemnizar um cidadão norte-americano em 835 mil dólares (cerca de 718 mil euros) por o terem detido devido a um comentário sobre a morte de Charlie Kirk.

Foi em setembro de 2025 que Larry Bushart partilhou uma publicação de Donald Trump no seu Facebook a dizer: “Temos de ultrapassar isto”. Trump, na altura, referia-se a um tiroteio numa escola secundário no Iowa, onde o jovem de 17 anos matou uma criança do sexto ano. Bushart partilhou esse vídeo, com a legenda: “Isto parece-me ser relevante hoje…”, referindo-se à morte do ultraconservador e apoiante fervoroso de Trump.
Charlie Kirk, recorde-se, morreu a 10 de setembro, após ser baleado enquanto falava num evento numa universidade do Utah. A morte provocou reações polarizadas em todo o país, sobretudo entre republicanos e democratas, devido às opiniões controversas de Kirk.
A publicação gerou revolta nas redes sociais, entre a comunidade conservadora, com muitas pessoas a exigirem que Bushart, de 61 anos, eliminasse o conteúdo. O homem recusou e pouco depois a polícia estava a bater-lhe à porta de casa.
Em declarações ao The Tennessean, o ano passado, o xerife do condado de Perry, Nick Weems, defendeu que a publicação de Bushart tinha como objetivo criar “histeria” na comunidade.
“Os detetives acreditam que Bushart estava completamente ciente do medo que a sua publicação ia causar e procurou, intencionalmente, causar histeria na comunidade”, afirmou.
O xerife afirmou ainda que apesar de os “memes de ódio” de Bushart serem na sua maioria formas legais de expressão pessoal, mas que a comunidade ficou alarmada, temendo que o homem estivesse a ameaçar uma escola local (que tem o mesmo nome da de Iowa, mencionada na publicação em causa).
O caso de Bushart ganhou destaque, chegando à imprensa nacional, mas também à internacional. Ao todo, esteve 37 dias detido, sendo que só foi libertado em outubro, após o descontentamento social pressionar as autoridades a soltar o homem de 61 anos. A acusação que pendia sobre ele foi também retirada.
Bushart, contudo, não deixou a situação ficar por aqui e impôs um processo em tribunal contra as autoridades, alegando que, durante o tempo em que esteve detido, faltou ao seu aniversário de casamento e ao nascimento da sua neta.
Agora, conseguiu, por fim, chegar a acordo com as autoridades, que concordaram em indemnizá-lo em 835 mil dólares.
“Estou satisfeito por os meus direitos ao abrigo da Primeira Emenda [que protege a liberdade de expressão, entre outros] terem sido reconhecidos”, afirmou Bushart no comunicado em que anunciou o acordo na quarta-feira, citado pela ABC News. “A liberdade das pessoas de participar no debate público é fundamental para uma democracia saudável. Estou ansioso por seguir em frente e passar tempo com a minha família”, acrescentou.
Após a morte de Charlie Kirk dezenas (senão mesmo centenas) de pessoas foram despedidas por publicarem mensagens que “celebravam” a morte do ultraconservador ou que defendiam que o fundador da Turning Point USA não era boa pessoa. O caso de Bushart, contudo, terá sido o único – ou dos poucos – que culminou numa detenção.

A morte de Charlie Kirk provocou reações polarizadas nos Estados Unidos, sobretudo entre republicanos e democratas, devido às suas opiniões controversas. Agora, há quem esteja a ser despedido por comentários.
Márcia Guímaro Rodrigues | 21:28 – 14/09/2025

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