Sérvios em confrontos com polícia após manifestação antigovernamental

Sérvios em confrontos com polícia após manifestação antigovernamental

Sérvios em confrontos com polícia após manifestação antigovernamental


Embora a manifestação numa praça central de Belgrado tenha decorrido de forma bastante pacífica, grupos de jovens manifestantes dividiram-se mais tarde e entraram em confronto com a polícia de intervenção, atirando foguetes de sinalização, pedras e garrafas contra os cordões policiais, que responderam com ‘spray’ de gás pimenta enquanto avançavam para os dispersar.

Os manifestantes, incluindo com aparência de ‘hooligans’ de futebol, empurraram caixotes do lixo para as ruas enquanto a polícia de intervenção, munida de escudos, tentava cercá-los, e estacionou veículos antimotim numa zona central de Belgrado para impedir o regresso dos manifestantes.
Manifestantes invadiram uma praça central na capital sérvia, muitos com faixas e ‘t-shirts’ com inscrições de “Estudantes vencem”, relatou a agência Associated Press. Antes, colunas de carros tinham entrado em Belgrado vindas de outras cidades sérvias.
Os estudantes lideraram uma vaga nacional de protestos massivos contra a corrupção, exigindo responsabilização por um acidente numa estação de comboios no norte da Sérvia, em novembro de 2024, que matou 16 pessoas.
Esses protestos forçaram o então primeiro-ministro Milos Vucevic a demitir-se, antes de Vucic reagir fortemente contra os manifestantes.
Os estudantes exigiram hoje eleições parlamentares antecipadas e o respeito pelo Estado de direito, acusando o governo de crimes e corrupção.
A procuradora Bojana Savovic disse à multidão que «um Estado onde as leis não são aplicadas ou são aplicadas de forma seletiva já não é um Estado, torna-se uma organização mafiosa”.
A líder parlamentar Ana Brnabic, minimizou a manifestação estudantil, afirmando que “não trouxe nada de novo” e, citando uma estimativa da polícia de que 34.300 pessoas compareceram ao protesto, afirmou que “a democracia está a florescer”.
Os confrontos eclodiram inicialmente nas proximidades de um acampamento de apoiantes de Vucic, instalado junto ao edifício da Presidência sérvia, montado antes de outro grande protesto antigovernamental em março passado, como escudo humano contra os manifestantes.
Música folclórica ressoava de uma área cercada, rodeada por filas de polícia de intervenção em equipamento completo.
A empresa ferroviária estatal da Sérvia cancelou todos os comboios de e para Belgrado, numa aparente tentativa de impedir deslocações de outras partes do país.
O Presidente sérvio tem enfrentado escrutínio internacional pelas suas táticas de linha dura contra os manifestantes. O comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, criticou o Governo da Sérvia num relatório esta semana e afirmou que acompanharia “de perto a situação” este sábado.
O’Flaherty citou “relatos de que a polícia protegeu agressores não identificados e, muitas vezes, mascarados de jornalistas e manifestantes”, acrescentando que a situação geral dos direitos humanos se deteriorou desde a sua visita anterior, em abril de 2025.
A Sérvia está formalmente a candidatar-se à adesão à União Europeia, mas tem mantido laços estreitos com a Rússia e a China. O retrocesso democrático sob o governo de Vucic poderá custar ao país cerca de 1,5 mil milhões de euros em financiamento da União Europeia, alertou no mês passado o principal responsável pela política de alargamento da UE.
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