Esta é uma semana dedicada a um dos maiores desafios ambientais: as espécies invasoras
As espécies invasoras são dos maiores desafios ambientais no planeta, mas continuam a ser um problema invisível para muitas pessoas. É com esta ideia em mente e com o objectivo que passem a ser encaradas como uma problemática à vista de todos que começou a chamada “Semana sobre Espécies Invasoras: Portugal & Espanha”. Entre 23 e 31 de Maio, haverá centenas de actividades gratuitas por Portugal e Espanha, incluindo nas ilhas. É a “maior iniciativa ibérica dedicada à sensibilização sobre espécies invasoras”, transmite a organização em comunicado.Actualmente, as espécies invasoras são consideradas a quinta maior ameaça global à biodiversidade, de acordo com a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES). A nível económico, podem causar, por ano, 423 mil milhões de dólares (cerca de 364 mil milhões de euros) de prejuízos. No fundo, estas são espécies de plantas ou animais que vêm de outro local, se reproduzem muito rapidamente e têm impactos no ambiente, na agricultura, nos recursos hídricos, na saúde pública e até na segurança alimentar.Ao longo de nove dias, na Semana sobre Espécies Invasoras: Portugal & Espanha, será possível entender melhor a ameaça e os desafios colocados por estes animais e plantas. As centenas de actividades incluem acções de controlo, caminhadas interpretativas, oficinas ou exposições.O evento é coordenado pela Rede Portuguesa de Estudo e Gestão de Espécies Invasoras – Rede InvECO da Sociedade Portuguesa de Ecologia, a plataforma Invasoras.pt, os projectos Life Coop Cortaderia e Life Invasaqua e ainda o Grupo Especialista em Invasões Biológicas. Para a realização das actividades, há parcerias com entidades como municípios, universidades, escolas ou associações.“O objectivo é simples, mas urgente: fazer com que as invasões biológicas deixem de ser um problema invisível”, afirma, no comunicado, Elizabete Marchante, da Rede InvECO. “As espécies invasoras já estão nas cidades, nas praias, nas serras, nos rios, nos campos agrícolas, nas margens das estradas… em todo o lado. Afectam directamente o quotidiano das pessoas e todos podemos ter um papel activo na prevenção e mitigação deste problema.” Por isso, no comunicado, refere-se que haverá actividades que, durante a semana, mostrarão histórias positivas e soluções concretas sobre este problema, como projectos de restauro ecológico ou exemplos de participação cidadã.A Semana sobre as Espécies Invasoras realiza-se em Portugal e Espanha desde 2021, depois de em 2020 se ter feito a Semana Nacional sobre Espécies Invasoras apenas no território português. A ambição da organização para esta edição é “bater recordes”, depois de, em 2025, se terem feito 387 actividades e, em 2024, terem sido 392.As actividades podem ser consultadas aqui.Segunda maior ameaça no marUma das iniciativas desta semana será uma campanha nacional de alerta aos cidadãos sobre as maiores ameaças biológicas nos ecossistemas aquáticos em Portugal. A actividade é da responsabilidade do laboratório Rede de Investigação Aquática (Arnet) e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Mare). Em entrevista à agência Lusa, a investigadora do Mare Paula Chainho sublinhou precisamente o maior impacto das espécies invasoras em meio aquático, explicando que em terra são a quinta ameaça para a perda de biodiversidade, mas no mar são a segunda causa.Paula Chainho refere que uma espécie introduzida fora da sua área de distribuição nativa pode tornar-se invasora ou não, dependendo das condições que vai encontrar no sítio onde é introduzida. Quando se torna invasora pode causar “impactos muito graves”.Os investigadores e as entidades envolvidas sabem disso, mas muitas vezes a população de forma geral não sabe, as pessoas não imaginam que podem ser elas as causadoras de um impacto grave, lembrou a cientista, também professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. “Isso é que nos motivou a lançar esta campanha, no sentido de alertar o público em geral, para um problema real e em que cada um pode ter um papel”, afirma a especialista, acrescentando que qualquer cidadão pode ter uma “acção preventiva”.Os temas da campanha serão espécies invasoras como tartarugas exóticas em lagos e rios, a minhoca marinha coreana, o peixe gigante siluro ou a alga castanha asiática que invadiu praias em Portugal. Na próxima semana, serão divulgados cartazes e usadas as redes sociais para mostrar que o comportamento de cada um pode ser a porta de entrada para muitos invasores. Com Lusa



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