Padrasto terá sido filmado a agredir menor de 4 anos em café de Alcácer

Padrasto terá sido filmado a agredir menor de 4 anos em café de Alcácer

Padrasto terá sido filmado a agredir menor de 4 anos em café de Alcácer


O padrasto das duas crianças francesas abandonadas junto à via pública, no concelho de Alcácer do Sal, na passada terça-feira, terá sido filmado a agredir o mais novo dos menores, num café daquela zona.

Imagens de videovigilância mostram Marc Ballagriga, de 55 anos, a agarrar Zacharie, de 4 anos, pelos braços, alegadamente com violência, de acordo com a CNN Portugal. Aliás, segundo o canal, terá sido esta a base para a acusação de ofensa à integridade física qualificada que lhe foi imputada pelo Ministério Público.
Entretanto, o ex-gendarme (equivalente a um militar da Guarda Nacional Republicana), que foi condenado a nove meses de prisão, com uma pena suspensa por dois anos, por atos de assédio e violência contra a mãe da sua filha, em 2010, foi transferido para a prisão anexa à Polícia Judiciária, em Lisboa, devido à sobrelotação da cadeia de Setúbal. Conforme disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais, a transferência deveu-se a “razões de ordem e segurança, que englobam o recluso e o próprio EP”.
“Chegou tranquilo, um bocado a medo, porque entrou numa cadeia e foi para outra, mas não gritou, cumpriu tudo o que os guardas prisionais lhe mandaram fazer, sem qualquer problema”, frisou.
Do mesmo modo, a mãe das crianças, que se dedicou a cantar em alto e bom som na estada no posto territorial de Palma, proeza que repetiu ao chegar ao tribunal de Setúbal, na sexta-feira, já não canta. Agora, encontra-se numa cela individual, no EP de Tires, em Cascais.
Recorde-se que, segundo a RTP, Marine Rousseau terá dito ao companheiro que teriam “de parecer doidinhos”, para alegarem estarem a sofrer de um distúrbio psicológico. O plano terá ficado alinhado durante o trajeto entre Fátima, onde a mulher de 41 anos e o companheiro foram detidos, na tarde de quinta-feira, e Palmela, antes de seguirem até ao tribunal de Setúbal. No entanto, e apesar de conversarem em francês, um dos militares ouviu o esquema, que denunciou junto da justiça.
Além da cantoria de Marine, Marc terá gritado com os militares e tentado danificar a cela, de onde terá recusado sair. Já antes de entrar no tribunal, o homem vociferou “je vous aime” (eu amo-vos, em português), mas não ficou claro para quem se estaria a dirigir.
Já este sábado, o juiz presidente da Comarca de Setúbal, juiz desembargador António Fialho, revelou que foi determinada a prisão preventiva dos dois arguidos, assim como termo de identidade e residência. O tribunal considerou que a mulher está “fortemente indiciada” de “dois crimes de exposição ou abandono agravado” em relação aos dois filhos, enquanto o homem foi acusado pela “prática de dois crimes de exposição ou abandono e de um crime de ofensa à integridade física qualificada”.
Os meninos de 4 e 5 anos, identificados como Zacharie e Barthélémy, terão sido trazidos pela própria mãe do seu país de origem. Os menores terão entrado em Portugal no dia 11 de maio, com a progenitora e o padrasto, por Miranda do Corvo. Três dias depois, o pai das crianças reportou o desaparecimento dos filhos, em França.
Após terem sido abandonados, os meninos foram encontrados pelas 19h00, por Alexandre Quintas. O padeiro contou ao Correio da Manhã que as crianças estavam a “chorar e a gritar”, tendo telefonado a uma conhecida, de nacionalidade francesa, para traduzir. Barthélémy, o menino mais velho, “explicou que o padrasto vendou os dois e mandou-os procurar um brinquedo”. “Depois, ficaram sozinhos”, disse.
O porta-voz da GNR, Carlos Canatário, asseverou, em declarações à RTP, que há dois processos em França associados à mulher: um sobre responsabilidade de poder parental, entre pai e mãe, e outro por subtração de menores, referente a um filho de 16 anos que também terá sido abandonado. Uma vez que existem mandatos de detenção europeus em simultâneo, os suspeitos “terão de ser presentes também ao Tribunal da Relação” independentemente do tratado no tribunal de Setúbal.

A mãe e o padrasto das duas crianças francesas abandonadas no concelho de Alcácer do Sal, na terça-feira, terão delineado uma estratégia que teria por base alegarem sofrer de um distúrbio psicológico. Contudo, um dos militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que ouviu e entendeu a conversa denunciou o plano às autoridades.
Daniela Filipe | 22:54 – 22/05/2026

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