"Líder" de tráfico de influências? José Luis Zapatero nega "ilegalidades"
O antigo ex-primeiro-ministro de Espanha José Luis Zapataro negou ter cometido qualquer ilegalidade, na sequência das buscas que decorreram esta terça-feira num caso que envolve 53 milhões de euros atribuídos à companhia aérea Plus Ultra após a pandemia – e cujo paradeiro se desconhece.
Em causa está uma investigação que visa Zapatero e o relaciona com crimes de tráfico de influências, branqueamento de capitais, organização criminosa e falsificação.
“Toda a minha atividade pública e privada desenvolveu-se sempre com respeito absoluto respeito pela legalidade”, afirmou num vídeo enviado aos órgãos de comunicação espanhóis.
A investigação, tutelada pelo juiz José Luis Calama, suspeita que Zapatero e pessoas próximas (nomeadamente, as duas filhas) receberam 1,95 milhões de euros em comissões, de forma irregular, neste caso.
De acordo com o que explica a imprensa espanhola, Zapatero refere que todos os seus rendimentos e remunerações foram declarados “com absoluta transparência e legalidade”, negando ainda ter tido qualquer tipo de intervenção junto de qualquer administração pública ou setor público em relação ao resgate da Plus Ultra.
“Nunca fiz qualquer diligência junto de qualquer administração pública relativamente ao resgate da Plus Ultra”, assegurou.
O tribunal que está encarregado do caso assinalou que a estrutura que está a ser investigada não se limita ao território espanhol, tendo, alegadamente, sido criada pelo menos uma offshore no Dubai.
A investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação simulada “para exercer influências ilícitas” e ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa de que são administradoras e sócias as filhas de Zapatero.
Segundo a publicação El País, o antigo primeiro-ministro será, presumivelmente, “o líder de uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências”.
O ex-governante será presente ao tribunal de Madrid a 2 de junho.
Zapatero foi indiciado esta terça-feira, dia em que também se realizaram buscas no seu escritório e em três empresas.
A imprensa espanhola sublinha que esta é a primeira vez na democracia espanhola, restabelecida há 50 anos, que um ex-líder do governo nacional é indiciado pela justiça.
Note-se que a procuradoria-geral de Espanha está a tentar rastrear os 53 milhões de euros atribuídos à companhia aérea espanhola desde 2024, depois de França e da Suíça terem pedido informações. No final de 2025, o caso foi levado a um tribunal e Madrid.
A 11 de dezembro do ano passado foram feitas biscas à sede da companhia aérea, tendo sido detidos o presidente da empresa, Julio Martínez, e o CEO, Roberto Roselli. Na mesma ação foi detido o empresário Julio Martínez Martínez, que até aí era desconhecido do grande pública, mas, percebeu-se então que era um grande amigo de Zapatero – para além de companheiro de negócios.
Em 2020, Martínez Martínez fundou uma consultora chamada Análisis Relevante S.L., que faturava a Plus Ultra e que pagava a Zapatero por trabalhos “de consultora global”.
Em cinco anos, esta empresa recebeu 460 mil euros da Plus Ultra. Já Zapatero recebeu um montante muito semelhante da Análisis Relevante.
A companhia aérea Plus Ultra, considerada de pequena dimensão, voa desde Madrid para Lima (Peru), Caracas (Venezuela), Buenos Aires (Argentina), Bogotá e Cartagena das Índias (Colômbia).
José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, foi primeiro-ministro de Espanha entre 2004 e 2011.
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