Moçambique Prepara Restrições no Uso da Água Face ao El Niño
A escassez hídrica volta a desafiar o quotidiano moçambicano com a perspectiva de um novo ciclo severo provocado pelo fenómeno meteorológico El Niño. Perante projecções climáticas desfavoráveis para a época chuvosa de 2026/2027, o Governo de Moçambique desenhou um plano de contingência abrangente que prevê a adopção de restrições graduais no fornecimento de água, com a intenção primordial de blindar o consumo humano e o funcionamento dos serviços sociais essenciais.
O alerta e a estratégia de resposta foram apresentados durante o XII Conselho Coordenador do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, reunido na cidade de Maputo. Na ocasião, o titular da pasta, Fernando Rafael, advertiu que as previsões hidrológicas apontam para um défice de precipitação com impacto acentuado nas províncias do Centro e do Sul de Moçambique, impondo uma gestão de contenção para evitar o esgotamento dos mananciais superficiais e subterrâneos.
Prioridades de Consumo Rigorosamente Definidas
O plano governamental estabelece uma hierarquia clara para a alocação dos recursos hídricos caso se confirme a descida crítica nos caudais dos rios e nas reservas das barragens. Segundo as directrizes anunciadas, o consumo doméstico directo, as unidades sanitárias, a rede escolar, a produção alimentar de emergência e o abeberamento de gado têm prioridade absoluta.
Em contrapartida, actividades económicas com menor carácter de emergência, utilizações industriais complementares e a rega de áreas de lazer serão sujeitas a reduções escalonadas se a seca se agravar. Para minimizar impactos disruptivos, o executivo determinou que hospitais e escolas estruturem reservas mínimas de contingência para operar de modo ininterrupto durante eventuais cortes programados.
Investimento Estratégico e Mitigação Comunitária
A operacionalização deste programa preventivo foi orçada em cerca de 401 milhões de dólares (aproximadamente 349 milhões de euros). Deste volume financeiro, as autoridades moçambicanas já asseguraram cerca de 125 milhões de dólares mediante o apoio de parceiros internacionais de cooperação, canalizando montantes para a reabilitação de infra-estruturas de captação e o reforço da rede de monitorização.
No domínio agrário, que sustenta grande parte das famílias rurais, o programa inclui acções directas para apoiar a resiliência das comunidades:
- Distribuição e incentivo ao cultivo de sementes com alta tolerância à seca;
- Promoção da agricultura de conservação com vista à retenção de humidade nos solos;
- Reativação e optimização de pequenos perímetros de regadio sustentável;
- Abertura e manutenção preventiva de pontos de abeberamento de gado nas zonas críticas.
Desafio Colectivo na Gestão dos Recursos
O risco climático que paira sobre Moçambique expõe mais uma vez a estreita ligação entre o equilíbrio ambiental e o bem-estar social. A antecipação de eventuais racionamentos procura evitar cenários extremos de ruptura no abastecimento, convocando os centros urbanos e as zonas periurbanas a adoptarem práticas rigorosas de contenção de desperdícios de água potável no dia a dia.
