Cotrim desafia Passos a "tomar três decisões" (incluindo sobre regresso)
João Cotrim de Figueiredo afirmou, este domingo, que Pedro Passos Coelho continua a dominar a agenda mediática, mas considerou que o antigo primeiro-ministro precisa de definir o rumo que pretende seguir.
No espaço de comentário “Visto Assim Daqui”, na SIC Notícias, o antigo líder da Iniciativa Liberal defendeu que Passos Coelho tem de tomar três decisões fundamentais sobre o seu posicionamento político e o eventual regresso à vida partidária.
“Mais uma vez, Passos Coelho fala e, mais uma vez, Passos Coelho domina a agenda mediática, dois ou três dias, com as pessoas a discutir o que ele disse e não disse nada de muito diferente do que já tem falado”, sublinhou.
Para o antigo líder da Iniciativa Liberal, Pedro Passos Coelho “tem de tomar três decisões”.
A primeira é “se quer ser um estadista” ou “um velho do Restelo sempre a avisar que vêm aí problemas”, devendo, assim, “decidir qual dos tons e quais dos estilos quer adotar”.
A segunda, elencou Cotrim Figueiredo, decidir se o seu regresso à vida pública e política tem “uma via partidária ou não”. Se sim, “não pode ficar à espera pacientemente, tem de ir à procura ativamente”, como, por exemplo, ir ao Congresso do Partido Social Democrata (PSD), “discursar e tirar temperatura” do partido.
A “terceira escolha” de Passos Coelhos seria “definir quais são as linhas vermelhas exatas com que se pode contar, em parceiros que propõem – dentro ou fora do Governo – uma solução governativa futura que seja mais reformista do que esta”.
“Não se pode viver nesta indefinição de que tudo o que o Chega propõe pode ser aceitável”, referiu.
O liberal considerou que Passos Coelho “perdeu algum” poder político após as declarações da semana passada. “Gostava de sentir que alguém com o espírito reformista e o passado que ele tem, continuasse a ter a capacidade de mobilizar pessoas”, lamentou.
E acrescentou: “É importante. As pessoas que querem verdadeiramente mudar Portugal, e têm um instinto reformista relativamente àquilo que é preciso fazer, escasseiam”.
Sublinhe-se que o ex-primeiro-ministro do PSD tem sido bastante crítico do Governo de Luís Montenegro. Recentemente, num evento onde também estava o presidente do Chega, André Ventura, afirmou que “era bom que as coisas ganhassem um pouco mais de ritmo”.
No mesmo dia, falou ainda de uma “maldição” na política europeia, e também portuguesa, de líderes que não querem “desagradar a ninguém”.
“O que é autêntico e genuíno sempre se manifesta e de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço e então o postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem caráter, sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa fornecer”, atirou, alertando: “mas a mesma multidão que o aplaude condena-o passado muito pouco tempo quando o futuro que não é desejado chega”.
Em resposta, no sábado, Montenegro disse liderar o Governo mais reformista dos últimos 30 anos em Portugal e caracterizou de “epifenómenos” as críticas vindas do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
Em declarações aos jornalistas após ter votado para as eleições diretas do PSD, na secção social-democrata de Espinho, o chefe do Governo falou na “responsabilidade de transformar o país”, afirmando, “como presidente do PSD”, estar “naturalmente muito, muito orgulhoso” por existir um Governo sob a direção e responsabilidade do PSD, “que é o Governo mais reformista dos últimos 30 anos em Portugal”.
Sobre as críticas que, nos últimos dias, lhe foram endereçadas pelo antigo primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho, Luís Montenegro minimizou o facto de este ter dito que não iria votar hoje: “Vou ter menos um voto, mas é a vida, não é?”, disse, defendendo logo depois que “o partido está coeso, unido, focado” e também “imperturbável face a ruídos, que são ruídos menores, face àquilo que é a grandeza da missão” do Governo.
“Eu sei que faz parte das regras do jogo a comunicação social querer desviar as atenções para epifenómenos, mas eu acho que, sinceramente, é preciso centrar-nos, e a vocês também cabe esse papel”, disse o presidente do PSD, sem mencionar o nome do antigo governante.
O presidente do PSD, Luís Montenegro, desvalorizou, mais uma vez, as críticas que o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho tem deixado à sua governação, considerando-o “ruídos menores”. Luís Montenegro tinha acabado de votar nas eleições diretas do PSD.
Carolina Pereira Soares | 15:05 – 30/05/2026



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