Migrantes processam EUA por condições desumanas em centro de detenção
O processo, apresentado na sexta-feira pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), inclui alegações de quatro pessoas atualmente detidas no centro, detalhando “grave negligência médica”, espancamentos e assédio sexual por parte dos guardas, uso “excessivo” de confinamento solitário, alimentação inadequada e condições insalubres.
Os autores da ação pedem ao tribunal que certifique o caso como uma ação coletiva em nome de todos os detidos no centro e que declare que as condições no centro violam o direito constitucional ao devido processo legal.
O megacentro, composto por tendas e com capacidade para acolher até 5.000 detidos, foi inaugurado em agosto e já registou três mortes oficiais e uma quarta alegadamente relacionada com negligência médica, noticiou hoje a agência Efe.
O Governo liderado pelo norte-americano Donald Trump rejeita as acusações dos queixosos e afirma que são “categoricamente falsas”.
“Nenhum detido está a ser abusado ou espancado”, frisou à Efe um porta-voz do Departamento de Segurança Interna. acrescentando que a agência “leva a sério a saúde e a segurança de todos os indivíduos sob a sua custódia”.
Akari Angye, um dos autores da ação, contou que foi severamente espancado pelos guardas por insistir em falar com um advogado antes de assinar qualquer documento.
O espancamento foi tão violento, relata o processo, que teve de ser levado para um hospital local, onde foi colocado numa cadeira de rodas.
Erik Iván Rodríguez, outro dos migrantes que interpôs uma ação judicial, está detido desde janeiro, apesar de não ter antecedentes criminais e de viver no Minnesota há oito anos.
A sua saúde deteriorou-se rapidamente no centro, de acordo com a ação judicial, acrescentando que tem problemas respiratórios e dificuldade em andar, depois de ter lesionado o joelho enquanto estava detido.
“Vivi os piores dias e meses da minha vida neste lugar. O que estou aqui a passar, não o desejaria nem ao meu pior inimigo”, contou Rodríguez, originário da Venezuela, numa declaração escrita.
Outras três pessoas também morreram no local, uma por suicídio, outra por insuficiência renal e a terceira por homicídio num confronto com funcionários do centro, segundo relatórios oficiais e fugas de informação para os meios de comunicação norte-americanos.
A quarta morte, mencionada no processo, mas não incluída nos números oficiais, ocorreu dias depois de a pessoa ter sido libertada do centro.
As ONG alegaram que se deveu a “negligência médica” sofrida durante a detenção.
Sob a atual administração, as detenções de migrantes nos EUA atingiram níveis recorde e, em Janeiro, os EUA detiveram mais de 73.000 migrantes, o número mais elevado desde a criação do Departamento de Segurança Interna (DHS) em 2001.
Este ano, pelo menos dezoito pessoas morreram sob custódia das autoridades de imigração, o maior número de mortes em duas décadas.
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