
Um juiz norte-americano ordenou, esta sexta-feira, que o nome do presidente Donald Trump seja retirado do nome do Kennedy Center, a principal sala de espetáculos de Washington, nos Estados Unidos.
Segundo decidiu o juiz Christopher Cooper, o centro artístico não pode ser renomeado sem a aprovação do Congresso. Além do nome, a decisão judicial também bloqueou temporariamente o encerramento do Kennedy Center por um período de dois anos, planeado para obras de renovação.
Atualmente, o nome do centro era Donald J. Trump and John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Art e, com a ordem do juiz, voltará a ser John F. Kennedy Center for the Performing Arts, nome original da sua inauguração em 1971, em memória do presidente americano assassinado em 1963.
“O estatuto do Kennedy Center deixa absolutamente claro que o Centro deve ser nomeado em homenagem ao presidente Kennedy e não pode ter qualquer outro nome oficial ou memorial público baseado na decisão unilateral do Conselho”, escreveu Cooper, nomeado durante a administração Obama, numa decisão de 94 páginas. “O Congresso deu o nome ao Kennedy Center e só o Congresso pode mudá-lo”.
Agora, o nome de Trump deve ser retirado do nome da instituição, da sua fachada – e de qualquer outra sinalética física ou digital – e dos materiais oficiais no prazo de 14 dias.
O Kennedy Center tinha sido rebatizado para “Trump Kennedy Center”, no final de 2025, por decisão do seu conselho de curadores, nomeado pelo presidente norte-americano. Um porta-voz da instituição já afirmou que vai recorrer da ordem de mudança de nome.
“Estamos confiantes de que, no recurso, o tribunal manterá a vontade do Conselho de reconhecer as contribuições históricas do presidente Trump para o centro cultural da nossa nação”, disse a porta-voz do centro, Roma Daravi, citada pela CBS News.
Daravi disse ainda que será analisada a decisão da juíza sobre o encerramento para obras de renovação. “O Centro requer uma restauração urgente e significativa – uma verdade que até o autor da ação reconhece”, disse Daravi.
“Com 257 milhões de dólares garantidos pelo presidente Trump e aprovados pelo Congresso, os recursos estão disponíveis e continuamos empenhados em procurar todos os meios legais para garantir que o Trump Kennedy Center seja restaurado como um marco cultural nacional para todos os americanos desfrutarem”, frisou.
Uma ação foi movida por um conjunto de organizações de preservação cultural e histórica, enquanto a outra foi apresentada pela congressista Joyce Beatty, democrata do Ohio e ex-membro do conselho do Kennedy Center.
Os advogados do Departamento de Justiça afirmaram que os planos de renovação do edifício têm um âmbito limitado e estão dentro da autoridade do conselho, sem necessidade de aprovações externas.
Já os autores da ação temem que o presidente e os seus aliados no conselho desrespeitem as normas de preservação destinadas a manter a estrutura histórica do edifício.
Desde a sua tomada de posse em janeiro de 2025, Trump colocou apoiantes seus no controlo desta instituição cultural, sob pretexto de que havia sido tomado pela esquerda norte-americana.
A nova direção do Kennedy Center – complexo que inclui ópera, teatro e uma orquestra sinfónica – retirou da programação espetáculos de transformismo e eventos que celebravam a comunidade LGBT.
Em alternativa, ao longo dos últimos meses tem convidado oradores religiosos de direita e artistas cristãos.
Numa visita ao centro cultural em agosto, Trump anunciou “pretender reformar o Kennedy Center para que possa voltar a ser o principal local de artes cénicas de todo o país, e talvez do mundo inteiro”.
“Acabámos com a política ‘woke’ deste grande espaço para espetáculos”, proclamou.
Este ano, a lista de premiados do centro inclui Sylvester Stallone, de 79 anos, ator famoso pelo seu papel de Rocky Balboa nos filmes “Rocky”, simbolicamente designado como um dos “embaixadores” de Trump em Hollywood depois de ter classificado o septuagenário republicano de “segundo George Washington”, em referência ao primeiro Presidente do país.
A lista inclui outros veteranos como Gloria Gaynor, de 81 anos, e George Strait, de 73, uma lenda da música country, género tradicionalmente apreciado pelos conservadores.
Entre os vencedores estão ainda a banda KISS, formada na década de 1970 em Nova Iorque – cidade natal do Presidente – e o ator britânico Michael Crawford, de 83 anos, conhecido pelo seu papel em “O Fantasma da Ópera”.
Donald Trump afirma ser fã de musicais da Broadway.
No seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, Trump não compareceu na cerimónia de entrega de prémios do Kennedy Center, após alguns artistas dizerem que não o queriam conhecer.
Uma lei apresentada no Congresso por alguns republicanos – “Tornar o Entretenimento Grande de Novo”, numa referência ao movimento trumpista MAGA – propôs mesmo que a instituição fosse rebatizada com o nome de Donald e Melania Trump, a primeira-dama.
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