Kallas descarta UE como mediadora entre Kiev e Moscovo: “Estamos claramente do lado da Ucrânia”

Kallas descarta UE como mediadora entre Kiev e Moscovo: “Estamos claramente do lado da Ucrânia”

Kallas descarta UE como mediadora entre Kiev e Moscovo: “Estamos claramente do lado da Ucrânia”

A alta representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, Kaja Kallas, rejeitou esta quinta-feira a ideia de que a União Europeia possa actuar como mediadora entre a Rússia e a Ucrânia, argumentando que a UE não é “neutral”, está “do lado” de Kiev e defende “os interesses da Europa”, incluindo os da Ucrânia, que também faz parte do continente.“Não podemos ser mediadores, não podemos ser neutrais tratando ambas as partes da mesma forma, porque estamos claramente do lado da Ucrânia”, sublinhou a chefe da diplomacia europeia numa conferência de imprensa após a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, realizada em Chipre, onde lembrou que todas as concessões feitas até agora partiram da Ucrânia e que a Europa deve ajudar Kiev nas negociações mas sem tratar ambas as partes de forma igual.“Também devem existir concessões por parte da Rússia” disse Kallas, enumerando a lista de concessões a exigir à Rússia em eventuais negociações, que elaborou em Fevereiro para a apresentar aos 27, e detalhou algumas das novas “exigências legítimas” da União para garantir que qualquer acordo de paz seja duradouro.Entre essas exigências destaca-se um cessar-fogo incondicional como pré-requisito para qualquer negociação, bem como o fim das operações russas de sabotagem, dos ciberataques e da interferência eleitoral, além da recusa de qualquer reconhecimento jurídico dos territórios ucranianos ocupados.“Qualquer acordo de paz deve reconhecer plenamente a soberania, a independência e o direito da Ucrânia de escolher as suas próprias alianças”, acrescentou a chefe da diplomacia da UE, referindo igualmente a necessidade de que qualquer limitação imposta ao Exército ucraniano tenha uma contrapartida equivalente nas Forças Armadas russas.Apesar de a UE estar do lado de Kiev, Kaja Kallas afirmou ser “muito importante” que a União Europeia incentive a Ucrânia e a Rússia “a dialogarem entre si”, porque existem muitas questões “sobre as quais apenas eles podem decidir e mais ninguém”.


“Podem existir países que exerçam essa diplomacia de apoio, mas no final, têm de ser eles próprios a sentar-se à mesa para discutir essas questões que só eles podem resolver”, concluiu.Suécia vende caçasA Suécia, Estado-membro da União Europeia, vai vender 20 caças Gripen E/F à Ucrânia, financiados por fundos europeus, e doar outros 16 de um modelo mais antigo, o Gripen C/D, anunciou o Governo sueco.Os primeiros Gripen C/D deverão ser doados no próximo ano e o modelo mais recente deverá ser entregue a partir de 2030, precisou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, durante uma conferência de imprensa com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.A Ucrânia prevê um financiamento de 2,5 mil milhões de euros para a aquisição de caças fabricados pelo grupo sueco de defesa Saab, de acordo com o comunicado sueco.Os 16 caças do modelo C/D serão enviados juntamente com munições e ajuda para fabricar drones, um pacote com um valor total de 22,22 mil milhões de coroas suecas (cerca de dois mil milhões de euros ao câmbio atual), o maior pacote doado pela Suécia à Ucrânia até há data.“Trata-se de uma decisão histórica para a Suécia, que reforça significativamente a defesa aérea da Ucrânia”, afirmou Kristersson.Os dois países tinham assinado, em Outubro de 2025, uma carta de intenções com o objectivo de Kiev adquirir entre 100 e 150 caças Gripen E.“Esperamos conseguir garantir o financiamento da totalidade” das 150 unidades, afirmou Zelensky.

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