Havana denuncia estagnação nos diálogos com Washington
Josefina Vidal disse que, embora o canal de diálogo se mantenha aberto, “certamente não houve muitos progressos”, uma vez que, paralelamente, por parte de Washington “continuam a ser adotadas medidas coercivas muito prejudiciais” para a economia e a população cubanas, decisões que suscitam “dúvidas quanto à responsabilidade e seriedade do Governo dos EUA”.
Numa entrevista à agência de notícias espanhola EFE, Vidal acrescentou que o Governo cubano “continua a privilegiar o diálogo” e não vê “outra alternativa para resolver os problemas com os Estados Unidos”.
A vontade do Governo cubano, reiterou Vidal, é que “o caminho do diálogo continue a funcionar como a fórmula para procurar um entendimento e uma solução para as divergências” entre ambos os países.
A vice-ministra cubana participou, nesta sessão, numa audiência convocada pela Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP, órgão legislativo) para denunciar o bloqueio petrolífero imposto por Washington à ilha desde janeiro, as sanções reforçadas contra setores vitais da economia e as ameaças de uma possível intervenção militar.
Na sessão, intitulada “Cuba quer Paz”, vários deputados intervieram para condenar igualmente a acusação nos EUA contra o ex-presidente cubano Raúl Castro pelo abate de dois aviões de uma organização cubana no exílio e pela morte dos quatro tripulantes há 30 anos.
Quando questionada sobre se esta escalada podia ser semelhante à utilizada pelos EUA para preparar a captura de Castro, tal como fizeram em janeiro na Venezuela com o ex-presidente Nicolás Maduro, a vice-ministra cubana esclareceu que “a fórmula de agressão contra Cuba não é recente”, mas que “agora se está a intensificar”.
A partir dos EUA, “estão a ser utilizadas todas as ferramentas para tentar subjugar o país”, e acrescentou que o mais “inaceitável é que esta tentativa castigue e submeta o povo a condições de vida insuportáveis e privando-o de todos os meios de subsistência”.
“Essa tem sido sempre a fórmula utilizada pelos Estados Unidos em relação a Cuba e agora manifesta-se de forma muito mais crua e impiedosa”, concluiu.
Esta política de pressão máxima dos EUA sobre Cuba visa que Havana introduza reformas económicas e políticas.
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