Sánchez mantem apoio a Zapatero: "Não há motivo para alterar posição"
“Penso que não há razão suficiente, não há motivo para alterar essa posição”, declarou Pedro Sánchez numa conferência de imprensa no Vaticano, após um encontro com o papa Leão XIV.
Sánchez afirmou que mantém a posição tornada pública na semana passada, no plenário do Congresso, depois de conhecida a acusação contra o antigo chefe do Governo.
Disse que leu o despacho do juiz, tomou conhecimento do processo através dos meios de comunicação social, falou com pessoas “que sabem muito mais de direito” do que ele e não vê motivos para alterar a sua posição.
“Toda a colaboração com a justiça, todo o respeito pela presunção de inocência do presidente Zapatero e todo o meu apoio ao presidente Zapatero”, afirmou, recordando as palavras proferidas no hemiciclo do Congresso.
Questionado sobre se a leitura do processo não lhe suscitou dúvidas, insistiu que não vê elementos que “neste momento” o levem a mudar de posição.
Zapatero será ouvido pela justiça em 17 e 18 de junho, no caso em que está indiciado por tráfico e influências, indicaram terça-feira as autoridades judiciais.
O antigo primeiro-ministro espanhol foi notificado na semana passada para prestar declarações ao juiz que tem a instrução deste caso em 02 de junho, em Madrid, mas a defesa de Zapatero, também antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), pediu mais tempo, invocando que só na segunda-feira teve acesso ao processo.
O juiz acedeu ao pedido e agendou a audição de Zapatero para 17 e 18 de junho, informou depois a Audiência Nacional de Espanha, a instância onde decorre a instrução.
A justiça espanhola revelou há uma semana que Zapatero, primeiro-ministro entre 2004 e 2011, está ser investigado “por delitos de tráfico de influências e outros conexos”.
A Audiência Nacional de Espanha disse ainda que em causa está um processo judicial “aberto para investigar o resgate da companhia aérea Plus Ultra”, em 2021.
Segundo o sumário do processo judicial, Zapatero é suspeito de liderar “uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” com o fim de obter “benefícios económicos” através de “influências em instâncias públicas em favor de terceiros, principalmente, a Plus Ultra”.
A investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação simulada “para exercer influências ilícitas” e lavar dinheiro, nomeadamente, ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa de que são administradoras e sócias as filhas de Zapatero.
A justiça suspeita que Zapatero e as duas filhas receberam mais de dois milhões de euros de forma irregular.
José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, garantiu inocência e prometeu total colaboração com a justiça.
A empresa Plus Ultra, considerada de pequena dimensão, beneficiou em 2021 de um resgate financeiro de 53 milhões de euros, concedidos na modalidade de empréstimo pelo governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, que na altura criou um fundo de dez mil milhões de euros para resgatar empresas consideradas estratégicas que estavam com dificuldades por causa da covid-19.
O Governo tem manifestado tranquilidade e “respeito pela justiça”, mas sem esquecer “o princípio fundamental da presunção de inocência”, na investigação a Zapatero e também em relação ao resgate da Plus Ultra.
Zapatero foi um dos grandes apoiantes de Sánchez nas últimas eleições espanholas, em julho de 2023, e chegou a ser classificado pela imprensa como o “grande ativo eleitoral” atual do PSOE.
A investigação judicial a Zapatero soma-se a outras que envolvem outras pessoas próximas ou que foram próximas de Sánchez, como um antigo ministro, ex-dirigentes do PSOE ou o irmão e a mulher do primeiro-ministro, acusados ou investigados por corrupção ou tráfico de influências.
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