<em>Navalha na Carne</em>, de Àkila, vence nona edição da Bolsa Amélia Rey Colaço

<em>Navalha na Carne</em>, de Àkila, vence nona edição da Bolsa Amélia Rey Colaço

<em>Navalha na Carne</em>, de Àkila, vence nona edição da Bolsa Amélia Rey Colaço

A criação Navalha na Carne, de Àkila a.k.a. Puta da Silva, é o projecto vencedor da nona edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, anunciou esta quarta-feira o Teatro Nacional D. Maria II, um dos promotores da iniciativa.”Navalha na Carne propõe uma reconfiguração contemporânea do clássico de Plínio Marcos [1935-1999], revisitando a obra sob a ótica das novas dramaturgias migrantes em Portugal. Com encenação de Àkila a.k.a Puta da Silva, o espectáculo tensiona corpos negros e dissidentes num quarto de cortiço onde a privação económica dita as regras”, pode ler-se no comunicado esta quarta-feira divulgado.O projecto da cantora, performer, realizadora e directora artística brasileira, radicada em Lisboa desde 2016, vence assim uma bolsa de 25 mil euros, residências artísticas em vários locais e a possibilidade de estrear-se e apresentar-se nos quatro teatros promotores: o D. Maria II, em Lisboa, A Oficina/Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, e o Teatro Viriato, em Viseu.A criadora revisitará, assim, um espectáculo de Plínio Marcos escrito em 1967, no contexto da ditadura militar brasileira, dialogando com um presente “entre a crise habitacional e o cerceamento de direitos”, expondo na nova criação “mecanismos contemporâneos de exclusão social e violência estrutural”.”Nesta nova criação, as personagens são reinterpretadas como corpos negros e imigrantes, atravessados por questões de precariedade laboral, exclusão racial, migração e dissidência de género. A proposta articula uma linguagem cénica que cruza uma abordagem psicológica e psíquica, música ao vivo e uma forte dimensão política”, acrescenta o comunicado do Teatro D. Maria II.Foram submetidas 61 candidaturas à bolsa nesta nona edição, cujo projecto vencedor foi anunciado no dia em que se estreia a criação apoiada na anterior, TOSHiiB4, de Luísa Guerra, na Sala Estúdio Valentim de Barros, em Lisboa.


A bolsa foi criada em 2018 e leva o nome da actriz e encenadora Amélia Rey Colaço (1898-1990), distinguindo jovens artistas desde então, como Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, Tita Maravilha, Ary Zara e Gaya de Medeiros, e Sara Inês Gigante, entre outros.Licenciada e mestre em Teatro, Puta da Silva tem cruzado música, performance, teatro e audiovisual no seu trabalho, que já circulou em pelo menos três países e por mais de 40 festivais ou equipamentos culturais.Àkila a.k.a. Puta da Silva representou Portugal na Bienal de Veneza em 2022, através do filme Vampires in Space passou por vários festivais de produção cinematográfica e audiovisual e criou os espectáculos Benedites e Clarisse.

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