Ébola. Quénia confirma conversações para tratar cidadãos norte-americanos
O executivo do Quénia “toma nota das conversações em curso com o Governo dos Estados Unidos da América [EUA] e outros parceiros internacionais sobre a colaboração internacional para fortalecer os mecanismos de preparação e resposta perante a doença do vírus do Ébola”, afirmou em comunicado o ministro da Saúde, Aden Duale.
A confirmação surge depois de o jornal norte-americano The New York Times ter hoje noticiado que os EUA planeiam desviar para o Quénia os cidadãos norte-americanos expostos ao vírus do Ébola para observação e tratamento, em vez de os repatriar, para serem atendidos em unidades médicas especializadas, como se fez em situações anteriores.
Segundo o jornal, uma equipa do Serviço de Saúde Pública dos EUA está a ser treinada para se deslocar para o Quénia, onde, em coordenação com os departamentos de Estado, Defesa e Saúde, Washington está a habilitar uma instalação para que os seus nacionais possam cumprir quarentena ou receber tratamento médico.
Duale não confirmou essa informação, mas enfatizou que o Quénia “acolhe com agrado as parcerias que fortalecem a segurança sanitária mundial” e reafirmam o seu “compromisso partilhado de proteger vidas através de ações coordenadas e baseadas na ciência”.
“Qualquer acordo relativo à cooperação internacional em matéria de saúde reger-se-á pelas leis nacionais do Quénia, pelas normas de saúde pública, pelas normas de biossegurança e bioproteção, e pela responsabilidade primordial do Governo de salvaguardar a saúde e o bem-estar da população queniana”, frisou o ministro.
Contra a atual epidemia de Ébola, o Quénia intensificou a vigilância nos pontos de entrada no país, designou laboratórios para realizar testes e fortaleceu os mecanismos de coordenação.
Até à data, revelou o ministro, foram examinados “mais de 55.000 viajantes em diversos pontos de entrada e realizaram-se testes a dez casos [suspeitos], todos com resultado negativo”.
O número de casos suspeitos de Ébola no leste da RDCongo aproxima-se dos 1.000, com pelo menos 223 “mortes suspeitas” devido à epidemia de Ébola declarada a 15 de maio no leste da RDCongo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que referiu também que a doença apresenta uma taxa de mortalidade inferior a 25%.
Segundo a atualização da OMS, essa taxa de mortalidade é “consideravelmente mais baixa, de momento, do que as registadas em epidemias anteriores”.
No Uganda, nação que fechou as fronteiras com a RDCongo, o número de casos confirmados – todos na capital, Kampala – ascende a sete, incluindo uma morte (um congolês cujo contágio é considerado importado).
Esta epidemia é complexa devido à falta de vacinas e tratamentos aprovados para a estirpe Bundibugyo.
Este é o décimo sétimo episódio registado na RDCongo desde que o vírus foi detetado pela primeira vez em 1976.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
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