Hong Kong com carnaval patriótico no aniversário do massacre de Tiananmen

Hong Kong com carnaval patriótico no aniversário do massacre de Tiananmen

Hong Kong com carnaval patriótico no aniversário do massacre de Tiananmen


Os organizadores anunciaram hoje, numa conferência de imprensa, que o evento vai decorrer de 03 a 07 de junho no Parque Victoria, que durante mais de três décadas, até 2019, foi o local das vigílias anuais em honra das vítimas do massacre de Tiananmen.

De acordo com o portal de notícias Hong Kong Free Press, o presidente da Federação de Guangdong Hong Kong, Kung Chun-lung, disse que o carnaval vai incluir este ano mais de 370 bancas que venderão iguarias e produtos agrícolas.
De acordo com o jornal Ming Pao, o evento contará ainda com atuações de celebridades locais, incluindo a cantora lusodescendente Maria Cordero, e de uma banda composta por robôs.
Durante três décadas, Hong Kong e Macau foram os únicos locais em solo chinês onde o movimento de repressão foi lembrado de forma pacífica, com vigílias anuais que, no caso de Hong Kong, reuniam dezenas de milhares de cidadãos.
Desde 2020, as autoridades proibiram a vigília, invocando a necessidade de proteger a saúde pública no contexto da pandemia de covid-19. A decisão marcou um ponto de viragem na história da celebração nestas duas regiões administrativas especiais.
Em Hong Kong, o grupo que organizava a vigília, a Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos da China, dissolveu-se em agosto de 2021, invocando um ambiente político cada vez mais restritivo, na sequência da aplicação da lei de segurança nacional, imposta por Pequim no ano anterior.
Neste novo contexto, grupos pró-Pequim ocuparam o mesmo espaço para realizar eventos que supostamente celebram a diversidade da cidade, refletindo uma transformação significativa na paisagem política e social da região semiautónoma.
Três antigos dirigentes da Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos da China estão a ser julgados por “incitamento à subversão”, num processo em que enfrentam uma pena máxima de 10 anos de prisão.
Em 2021, a polícia de Macau citou pela primeira vez razões políticas para interditar a comemoração, uma decisão validada posteriormente pelo Tribunal de Última Instância, que rejeitou um recurso apresentado pela União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia (UMDD), que durante décadas organizou a vigília.
Em maio de 2023, os responsáveis da UMDD decidiram extinguir a associação “tendo em conta a revisão da lei de segurança nacional e a imprevisibilidade do futuro”, disse na altura à Lusa, Au Kam San, cofundador da organização.
Antigo deputado pró-democracia e cidadão português, Au Kam San foi detido em 30 de julho de 2025 por alegadamente ter agido em “conluio, desde 2022, com uma organização anti-China” estrangeira, disse na altura a polícia de Macau.
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