Guardas da Revolução dizem que negociar é “perda de tempo” após EUA violarem cessar-fogo

Guardas da Revolução dizem que negociar é “perda de tempo” após EUA violarem cessar-fogo

Guardas da Revolução dizem que negociar é “perda de tempo” após EUA violarem cessar-fogo

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão acusou os Estados Unidos de uma “violação grosseira do cessar-fogo” após o ataque norte-americano da noite de segunda-feira contra bases de lançamento de mísseis e navios suspeitos de colocar minas no estreito de Ormuz, acção que Washington considera ter sido de “autodefesa” e que alega não violar a trégua firmada em Abril. A condenação, esta terça-feira, junta-se a um tom geral de ameaça: os Guardas da Revolução dizem reservar o direito “legítimo e inequívoco” a uma “resposta recíproca e resoluta” e o guia supremo, Mojtaba Khamenei, avisa que os norte-americanos deixaram de ter porto seguro no Golfo.A nova escalada de tensão, que é acompanhada por um recrudescimento dos ataques israelitas no Líbano, veio ameaçar o relativo progresso sinalizado por norte-americanos e iranianos na frente negocial.Esta terça-feira, o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, declarou que as conversações indirectas entre as duas partes prosseguem sob mediação regional e que se poderia estar a “alguns dias” de um almejado memorando de entendimento para consolidar a trégua, desbloquear o estreito de Ormuz e dar 60 dias para a discussão de temas mais espinhosos como o dossier nuclear, antes da assinatura de um acordo mais abrangente de paz. Rubio avisou, no entanto, que Ormuz tem de ser reaberto no curto prazo, “de uma forma ou de outra”, justificando assim a acção militar da noite anterior. O tráfego naval mantém-se fortemente condicionado.Do lado iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e principal negociador de Teerão, abandonou na tarde de terça-feira Doha, no Qatar, onde se discutia o que fonte governamental iraniana indicava à agência noticiosa Fars ser o derradeiro obstáculo à assinatura do referido memorando: o desbloqueio de fundos iranianos de 24 mil milhões de dólares congelados há anos no estrangeiro devido a sanções internacionais. A delegação chefiada por Bagher incluía o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, e o governador do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati.Não é claro se foram feitos progressos quanto às exigências financeiras iranianas, um dos principais pontos de discórdia no processo, a par dos termos exactos da eventual reabertura de Ormuz, onde Teerão quer manter algum tipo de controlo sobre o canal por onde escoa um quinto do petróleo mundial. Num telefonema com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que Ancara continuaria envolvida nos esforços de mediação liderados pelo Paquistão, cujo marechal Asim Munir declarou na véspera em visita a Pequim que “um acordo estava perto de ser finalizado”.Internet volta ao Irão e Khamenei ao Telegram“Apesar de ambos os lados poderem, em última análise, preferir um fim das hostilidades, a lógica de curto prazo do conflito, guiada por ataques e retaliações, pode facilmente prejudicar esforços para pôr termo ao conflito”, acautelava, em declarações à Aljazeera, a directora para o Médio Oriente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Mona Yacoubian.É nesse ciclo que Irão e EUA parecem estar presos nas últimas 24 horas. “O Comando Central continuará a defender as nossas forças ao mesmo tempo que exercerá contenção durante o cessar-fogo em vigor”, declarou o porta-voz militar norte-americano Tim Hawkins após o bombardeamento de embarcações e outros alvos na zona de Bandar Abbas, principal base da Marinha iraniana, e junto à ilha de Larak, às portas do estreito de Ormuz.Os Guardas da Revolução, por seu turno, alegam ter abatido um drone MQ-9 Reaper e disparado contra outra aeronave norte-americana durante a noite de segunda-feira. Na rede social X, o comandante da força aeroespacial dos Guardas da Revolução, Seyed Majid Moosavi, responsável pelo programa iraniano de mísseis balísticos e de drones, disse que os homens estavam “inteiramente preparados para uma resposta resoluta e rápida” e declarou que “negociar com o inimigo é uma pura perda de tempo”.“Se a região entrar novamente em guerra, a resposta do Irão vai estender-se para lá das fronteiras regionais e será muito mais pesada e forte”, afirmou por sua vez, já na terça-feira, o porta-voz das Forças Armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi.Na plataforma de mensagens Telegram, e numa altura em que começa a ser reposto o acesso dos iranianos à internet após 88 dias de “apagão”, Mojtaba Khamenei declarou que “a América, para além de ter deixado de ter um lugar seguro para a agressão e para as suas bases militares na região, está a afastar-se cada vez mais, diariamente, do seu antigo estatuto”.Numa mensagem a celebrar o início do hajj, a peregrinação anual a Meca, e dirigida tanto para consumo doméstico como regional, Khamenei disse ainda que “morte aos EUA” e “morte a Israel” seriam doravante lemas comuns dos muçulmanos e dos “povos oprimidos do mundo”.

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