Mark Carney critica hipótese de referendo separatista em Alberta

Mark Carney critica hipótese de referendo separatista em Alberta

Mark Carney critica hipótese de referendo separatista em Alberta


Em conferência de imprensa, Carney afirmou que o processo iniciado em Alberta pela chefe do governo provincial, Danielle Smith, “não é útil” e comparou-o ao que aconteceu com os referendos separatistas no Quebec ou com o Brexit no Reino Unido.

“Em questões de separação, é frequentemente sugerido que se vote a favor porque é uma opção livre. Se votar a favor, isso fortalecerá a sua posição nas negociações futuras. Isso é um ‘bluff’ muito perigoso”, disse Carney.
“Eles viram em primeira mão o que aconteceu no Reino Unido quando a ideia foi: votar a favor, será algo suave, e depois negociaríamos. Dez anos depois, continuam a tentar desfazer algo em que as pessoas não pensavam que estavam a votar, mas que acabaram por ter”, acrescentou Carney, que viveu o processo do Brexit – saída da União Europeia – enquanto governador do Banco de Inglaterra.
No que diz respeito ao Quebec, que realizou dois referendos de independência em 1980 e 1995, este último com um resultado em que os apoiantes da secessão ficaram a um décimo de ponto de vencer, Carney alertou para o verdadeiro conteúdo do processo.
“Os canadianos deviam refletir sobre o que aconteceu com o referendo do Quebec, em relação ao tipo de questão que as pessoas pensam ser o início de uma negociação, mas que na verdade foi o início de uma separação real”, explicou.
O chefe de governo canadiano acrescentou que, apesar da abordagem de Smith, a votação que se realizará em outubro deste ano não responde a uma necessidade democrática.
“É útil levantar estas questões fundamentais? Não, não é útil, claro que não é. Será a vontade democrática dos habitantes de Alberta? Votou a favor disto nas últimas eleições provinciais? Não, não votaram. Isso não estava no boletim de voto. Não estava no programa do partido no poder nem no da oposição oficial”, afirmou.
Na semana passada, a chefe do governo de Alberta, Danielle Smith, anunciou que seria realizado um referendo em outubro para decidir se iniciaria o processo legal de convocação de um referendo vinculativo sobre a separação do Canadá.
A líder populista conservadora, que desde que chegou ao poder em 2022 tem focado as suas políticas na confrontação com o governo federal, insistiu em várias ocasiões que votará a favor de permanecer no Canadá porque acredita que “o Canadá ainda pode funcionar”, mas justificou a consulta apontando que centenas de milhares de pessoas da província querem falar sobre a questão.
Alberta, que contém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, acusa o governo federal de limitar o desenvolvimento dos seus recursos naturais como parte da sua política de combate às alterações climáticas, bem como de distribuir a sua riqueza entre as províncias mais pobres do Canadá.
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