Receita de sucesso: brasileira vende 1.200 unidades de pão francês ao dia em Portugal

Receita de sucesso: brasileira vende 1.200 unidades de pão francês ao dia em Portugal

Receita de sucesso: brasileira vende 1.200 unidades de pão francês ao dia em Portugal

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

“A gente não vende só pão. A gente vende memória afetiva.” É assim que a nutricionista e, agora empresária, Beatriz Matrowitz, resume o seu negócio em Charneca da Caparica, que tem um dos maiores símbolos da gastronomia brasileira como protagonista: o pão francês.Como outras tantas receitas, não há registros precisos sobre a origem do produto, que estaria no final do século 19, onde a França estava na moda entre a elite brasileira. “O que se conta é que o pão de casca crocante e miolo macio é derivado da baguete. A versão mais difundida é de que os padeiros portugueses que emigraram para o Brasil foram responsáveis pela adaptação da receita original francesa aos ingredientes locais”, diz Beatriz.A verdade é que, hoje, o pão francês tem presença garantida na mesa de café da manhã (ou, pequeno-almoço) da maioria das famílias brasileiras. Por isso, é comum que os imigrantes sintam falta da iguaria. “Foi desta saudade que surgiu a ideia de produzir nosso pão francês em Portugal”, diz Beatriz, que chegou ao país há 10 anos e, há dois, começou a empreender no setor gastronômico. Foi quando ela, literalmente, colocou a mão na massa.


O pão francês é um ícone brasileiro inspirado na baguete francesa
Divulgação

O resultado das primeiras fornadas, no entanto, ficou longe do esperado. “Os ingredientes em Portugal são diferentes, e tive que fazer muitos testes. No Brasil, a maioria usa uma farinha pronta, mas queria também um produto mais saudável, sem aditivos, que mantivesse aquele gostinho de tradição. Aqui só vai água, farinha e fermento”. Entre um teste e outro, Beatriz foi aprimorando a receita e chegou em um resultado que superou as expectativas. “É o pão francês da minha infância, que era feito de uma maneira mais natural”, festeja.ExpansãoA produção começou caseira, com uma média de 100 pães produzidos por semana e encomendas que vinham do boca a boca, especialmente de Cascais. “Fazia tudo. Assava o pão, congelava e depois distribuía no meu próprio carro”, conta. E não demorou para a empresária ver, ali, uma oportunidade de negócio.”A procura foi crescendo e convidei uma grande amiga, também nutricionista, para virar sócia. Alugamos um espaço na Charneca da Caparica e montamos uma espécie de fábrica, com equipamentos de segunda mão. E a produção aumentou gradativamente”, conta a empresária, que investiu 30 mil euros nesta primeira etapa do empreendimento.Há seis meses, elas decidiram abrir a Casa do Pão Francês, que além de vender o produto congelado, que dura até sete dias, vende o pãozinho assado na hora. “Damos o primeiro de oferta para o cliente comprovar que é mesmo o nosso pão francês. Servimos com cafezinho coado na hora. É um sucesso”, conta.Hoje, a produção diária gira em torno de 1.200 pães ao dia, com fornadas de hora em hora. Deste montante, 400 são vendidos na loja, assados na hora, e outros 800 são congelados e enviados para restaurantes e clientes, inclusive no país vizinho. “A fama do nosso pão francês já chegou na Espanha, e conseguimos fazer chegar de um dia para o outro”, afirma.Ronaldinho gaúchoAliás, a ruptura de fronteiras já faz a empresária pensar em escalar o negócio. “Percebemos um grande potencial, especialmente para atender a demanda da comunidade brasileira que vive no exterior”, diz. Só em Portugal, são perto de 500 mil brasileiros em situação regular, segundo dados de 2024 da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).Aliás, na esteira dos brasileiros, aqui vai um fato pitoresco. Recentemente, a Casa do Pão Francês foi procurada pela equipe do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, que vem a Lisboa para participar de um jogo solidário no Restelo. “Encomendaram 80 pães que serão servidos com churrasco no vestiário”, diverte-se Beatriz. Assim como o ex-atacante da seleção, muitos conterrâneos buscam o pão para incrementar o churrasco.A maior parte da clientela, como é de supor, é formada por brasileiros. Mas, pouco a pouco, os portugueses vão sendo conquistados. “Alguns chegam meio ressabiados e não entendem muito por que não chamamos o nosso produto de pão brasileiro, como fazem em alguns supermercados — e que não têm nada a ver com o nosso. Até coloquei um quadro na loja contando um pouco da história, que tem a ver com os padeiros portugueses”, diverte-se.Curiosamente, a ligação do pão francês com o Portugal também tem a ver com o nome como o produto é chamado no Rio Grande do Sul: Cacetinho, mas que não em nenhuma relação com o pão de mesmo nome em terras lusas. No Brasil, o pão francês também muda de nome a depender da região: na região Nordeste, pode ser encontrado como carioquinha, pão de sal e pão aguado. No Norte, pão careca. E assim por diante.
App PÚBLICO BrasilUma app para os brasileiros que buscam informação. Fique Ligado!

Publicar comentário