Tiago Rodrigues e Demarcy-Mota entre os 400 profissionais do teatro contra Bolloré

Tiago Rodrigues e Demarcy-Mota entre os 400 profissionais do teatro contra Bolloré

Tiago Rodrigues e Demarcy-Mota entre os 400 profissionais do teatro contra Bolloré

Começou no meio editorial, expandiu-se para o cinema e chega agora às artes do palco o movimento de oposição ao domínio ideológico da extrema-direita sobre a esfera cultural e literária em França. Um colectivo de cerca de 400 profissionais do teatro e das artes do palco (actores, directores artísticos, encenadores e autores), entre os quais o português Tiago Rodrigues, director do Festival de Avignon, e o luso-descendente Emmanuel Demarcy-Mota, director do Théâtre de la Ville e do Festival d’Automne, publicaram esta sexta-feira à noite no jornal Le Monde um texto de apoio aos signatários da carta aberta “Zapper Bolloré” publicada por 600 profissionais de cinema no Libération, no dia da abertura da 79.ª edição do Festival de Cinema de Cannes, que termina neste sábado.“Nós, profissionais do teatro, manifestamos a nossa solidariedade com todos os assinantes do artigo de opinião publicado no jornal Libération, por iniciativa dos profissionais de cinema”, escrevem no documento subscrito também pela directora do Théâtre National de la Colline, Julie Deliquet, pelo director do Odéon Théâtre de l’Europe, Julien Gosselin, ou pela directora do Teatro Nacional de Estrasburgo, Caroline Guiela Nguyen.


Nessa carta aberta publicada a 11 de Maio, mais de 600 profissionais alertavam para os riscos da crescente dependência do cinema francês, nos domínios da produção, da distribuição e da exibição, relativamente ao Canal+ e à sua produtora, a StudioCanal, cujo principal accionista é o milionário Vincent Bolloré, que através do seu império de jornais, revistas, canais de rádio e de televisão ou editoras tem prosseguido uma ofensiva cultural para impor um projecto ideológico de extrema-direita.“Manifestamos com força a nossa oposição a qualquer forma de boicote, censura ou lista negra, termos que remetem, sem dúvida, para as páginas mais negras da nossa história”, acrescentam ainda, referindo-se ao anúncio que Maxime Saada, o presidente executivo da rede Canal+, fez a 17 de Maio em Cannes de que não voltaria a trabalhar com os signatários da carta aberta e de que as equipas do Canal+ também deverão fazê-lo.


Aos 600 subscritores originais, que incluíam nomes como Juliette Binoche, Raymond Depardon ou Arthur Harari, juntaram-se entretanto milhares de outros signatários, entre os quais Javier Bardem, Ken Loach, Mark Ruffalo, Aki Kaurismäki, Yorgos Lanthimos e Walter Salles. A carta soma já mais de 3500 assinaturas.Os profissionais do teatro, perante os últimos desenvolvimentos no sector cultural francês, acreditam que se impõe “um dever de vigilância perante as ameaças cada vez mais claras” e “agora abertamente formuladas à liberdade de expressão em França”.


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