SIBS prepara solução para ter Multibanco em freguesias de onde os bancos fugiram
A SIBS, dona da rede Multibanco, está a trabalhar com várias entidades a implementação de uma solução que visa colmatar as falhas de acesso a serviços bancários em várias zonas do país, nomeadamente as que ficaram sem agências bancárias e sem caixas de levantamento nos últimos anos, segundo informações confirmadas junto de várias fontes do sector.O projecto, a ser trabalhado há vários meses, ainda não foi apresentado formalmente, sendo que deverá ver a luz do dia ainda este semestre, nas próximas semanas.A ideia da SIBS, segundo o que o PÚBLICO conseguiu apurar, é começar por um projecto-piloto com a colocação de uma espécie de “multibanco social”, para assegurar uma maior cobertura de rede. Iniciar-se-á por 20 freguesias espalhadas pelo país, e a avaliação vai ditar a continuação desta oferta.Para já, não há indicações sobre como será financiado o projecto, que envolve entidades públicas e privadas, poder local e central, e que está a ser acompanhado pelo Banco de Portugal. A Associação Nacional de Freguesias (Anafre) tinha já uma preocupação há muito tempo, e houve até moções levadas a congresso da entidade a pedir a instalação de caixas em zonas com baixa densidade e populações mais isoladas, mostrando a importância do assunto a nível da coesão social.Na prática, a SIBS, que é detida pelos bancos, procura agora colmatar uma falha que foi criada pelos seus accionistas.Redução continuada de agências e ATMA redução da rede de agências bancárias e de caixas automáticos não é um tema novo, nem sequer uma preocupação nova, e há anos que o Banco de Portugal vai publicando dados sobre a sua cobertura – e em breve deverá actualizá-los, já que os existentes têm alguns anos.Os números do supervisor mais recentes foram publicados em 2023, relativos ao ano anterior, e mostravam que, das 3092 freguesias que existiam à época, havia 41% delas sem uma caixa para levantar dinheiro ou uma agência bancária que permitisse operações com notas e moedas. Nestas freguesias morava, à data, cerca de 7% da população.Com o intuito de cortarem custos e para se adaptarem ao consumo digital dos clientes mais jovens, os bancos foram cortando a sua rede para se concentrarem em balcões mais rentáveis (incluindo o banco público, a Caixa Geral de Depósitos, sem qualquer travão dos diversos governos). O Crédito Agrícola manteve-se como o banco que tem uma maior rede.A redução da presença bancária em certas localidades do país reflecte-se não só nas agências, como nos caixas automáticos, já que estes sistemas também são colocados em zonas onde haja maior probabilidade de transacções, nomeadamente com densidade populacional elevada ou de maior actividade turística.De acordo com os dados mais recentes de toda a rede bancária, em 2024 havia menos de 11500 caixas automáticos no país, o número mais baixo desde 2006, quando chegou a superar os 14000 em 2010. Também em 2010 houve um pico de sucursais e agências bancárias, que totalizaram quase 6500, mas em 2024 já estava em cerca de 3300, abaixo dos números de 1994. Se em executivos anteriores já houve governantes a assumir preocupação com o assunto, nada acabou por ser concretizado. Já o Banco de Portugal afasta-se de qualquer competência para impedir o encerramento de balcões.



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