"Inaceitável". Montenegro defende suspensão parcial do acordo com Israel

"Inaceitável". Montenegro defende suspensão parcial do acordo com Israel

"Inaceitável". Montenegro defende suspensão parcial do acordo com Israel


O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou, esta quarta-feira, o tratamento dado aos ativistas da flotilha Global Sumud “inaceitável”, depois de ter sido partilhado um vídeo pelo ministro israelita Ben Gvir, onde surgem ajoelhados e com as mãos presas atrás das costas. 

“É uma situação absolutamente inaceitável”, afirmou, em declarações captadas pela RTP, em Andorra. 
Sobre as discussões tidas no âmbito da União Europeia, o primeiro-ministro salientou que “Portugal já tem manifestado a sua disponibilidade para uma suspensão parcial do acordo com Israel”.
“Veremos nos próximos encontros se há alguma evolução nesse domínio”, disse.
De salientar que o Governo, através do ministério dos Negócios Estrangeiros, já havia condenado “o comportamento intolerável” do ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir.
“Portugal condena veementemente o comportamento intolerável do ministro israelita Ben Gvir e o tratamento infligido aos ativistas da flotilha em humilhante violação da dignidade humana”, pode ler-se numa publicação partilhada nas redes sociais da tutela.
Recorde-se que na flotilha que pretendia levar ajuda humanitária até Gaza e que foi intercetada pelas forças israelitas seguiam dois médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, que terão sido detidos.

Em causa está um vídeo onde o ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir, faz troça dos ativistas da Flotilha Global Sumud. Recorde-se que, na flotilha, seguiam dois médicos portugueses, que terão sido detidos.
Tomásia Sousa, Lusa | 15:02 – 20/05/2026

Também o deputado único do Bloco de Esquerda (BE), Fabian Figueiredo, descreveu a situação como um “espetáculo de crueldade”, tendo pedido ao Parlamento português que condene o ministro israelita.
O partido anunciou, ainda, um voto de condenação “pela violação da dignidade humana” dos ativistas “por parte do ministro da segurança nacional israelita Ben Gvir”.
“Exibir ativistas humanitários algemados e ajoelhados, entre eles dois médicos portugueses, ao som do hino israelita, é um espetáculo de crueldade. Foram detidos ilegalmente em águas internacionais numa missão pacífica. O Parlamento português tem de condenar Ben Gvir”, escreveu na rede social X.
Por sua vez, o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro considerou que, “se os israelitas gravam a divulgam vídeos de violações de direitos humanos a cidadãos europeus, com todo o impacto que daí decorre, imagine-se o que não farão em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano e aos detidos palestinianos nas suas prisões”.
Os organizadores da flotilha humanitária com destino a Gaza que foi intercetada por Israel na segunda-feira reportaram a detenção de mais de 400 ativistas.
A flotilha com 54 embarcações, que incluía navios da flotilha Global Sumud (GSF), da Freedom Flotilla Coalition e de várias outras organizações da Turquia, Malásia e Indonésia, foi intercetada na manhã de segunda-feira em águas internacionais perto do Chipre, a aproximadamente 250 milhas náuticas de Gaza.
Num comunicado, a Freedom Flotilla indicou que “mais de 400 participantes civis desarmados de 45 países foram sequestrados em águas internacionais pelas forças militares israelitas”, embora não tenham fornecido números discriminados por nacionalidade.
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