Colômbia destitui representante diplomático boliviano em Bogotá
O ministério colombiano dos Negócios Estrangeiros indicou num comunicado que “se viu obrigado a declarar, por reciprocidade, o fim das funções de Ariel Percy Molina Pimentel, encarregado de negócios da Embaixada do Estado Plurinacional da Bolívia na Colômbia”.
O último incidente diplomático entre os dois países começou no último domingo, quando o Presidente colombiano, Gustavo Petro, ao referir-se aos protestos na Bolívia, afirmou que aquele país vive uma “insurreição popular” que, na sua opinião, é uma “resposta à arrogância geopolítica”.
As declarações de Petro referiam-se aos protestos e bloqueios de estradas promovidos por setores camponeses, pela Central Operária Boliviana (COB) e por grupos ligados ao ex-presidente boliviano, Evo Morales, que exigem a demissão do atual Presidente, Rodrigo Paz, no poder há apenas seis meses.
Paz afirmou que as declarações de Petro constituem um “ataque à democracia”, considerando que o chefe de Estado colombiano tinha preferido “a sua ideologia, que, ao que parece, carece de conceitos democráticos, em detrimento das relações e do respeito pela democracia das [duas] nações”.
“A decisão tomada [por La Paz] responde à necessidade de preservar os princípios da soberania, da não ingerência nos assuntos internos e do respeito mútuo entre Estados”, indicou na quarta-feira o ministério boliviano dos Negócios Estrangeiros num comunicado, no qual esclareceu que a expulsão da embaixadora colombiana “não constitui uma rutura das relações diplomáticas” com a Colômbia.
Petro reagiu logo na quarta-feira à expulsão da diplomata, considerando que a sua saída se deve ao facto de o Governo de Rodrigo Paz estar a “cair no extremismo”.
Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros colombiano salientou no comunicado que “não houve, por parte de nenhum funcionário ou membro do Governo nacional, qualquer interesse ou intenção de se intrometer nos assuntos internos da Bolívia”, e sublinhou o “compromisso” de Bogotá “com os princípios da igualdade soberana; da não intervenção nos assuntos internos dos Estados; da autodeterminação dos povos; da resolução pacífica de controvérsias; e do respeito pela integridade territorial”.
A crise na Bolívia, que começou no início do mês devido a reivindicações salariais, à escassez e má qualidade dos combustíveis e à rejeição de várias reformas, resultou em manifestações, protestos e bloqueios de estradas, com pedidos de demissão contra Rodrigo Paz, sobretudo na capital boliviana, La Paz, e em El Alto, ambas no departamento de La Paz.
A situação nas duas cidades é crítica. Os bloqueios mantêm a região parcialmente isolada e provocaram escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, incluindo oxigénio medicinal. Nos mercados populares, os preços duplicaram ou triplicaram, enquanto centenas de pessoas fazem longas filas para conseguir frango ou gasolina.
O Governo boliviano criou uma “ponte aérea” com o apoio de aviões argentinos para transportar alimentos e bens de primeira necessidade, embora admita que a situação continua a ser difícil.
Os Estados Unidos manifestaram já o total apoio ao Governo de Rodrigo Paz. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington “não permitirá que criminosos e traficantes de droga derrubem líderes eleitos democraticamente”, e o seu número dois, Christopher Landau, descreveu a situação como “um golpe de Estado em curso”.
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