"Abandono cruel disfarçado de brincadeira". O caso aos olhos de França

"Abandono cruel disfarçado de brincadeira". O caso aos olhos de França

"Abandono cruel disfarçado de brincadeira". O caso aos olhos de França


O caso das crianças francesas que foram encontradas sozinhas junto à via pública, no concelho de Alcácer do Sal, na passada terça-feira, também ganhou tração em França, como seria expectável.

“Crianças francesas encontradas sozinhas em Portugal: O terrível relato do abandono cruel disfarçado de brincadeira” é um dos títulos do 20 Minutes, que assinalou que “a história de Zacharie, de 4 anos, e Barthélémy, de 5 anos, assemelha-se muito ao conto d’ ‘O Polegarzinho’”. “Só que eles não tiveram tempo de espalhar pedrinhas brancas para encontrar o caminho de volta”, complementou.
O Le Parisien revelou que o padrasto das crianças é um ex-gendarme (equivalente a um militar da Guarda Nacional Republicana) que foi “condenado em 2010 por atos de assédio e violência contra a mãe da sua filha, segundo uma fonte próxima do caso”.
O mesmo meio indicou que o homem foi condenado a nove meses de prisão, com uma pena suspensa por dois anos. Uma avaliação psicológica realizada na altura determinou que se tratava de uma “pessoa normal […], sociável, amigável, responsável, realista e equilibrada, que tem boa autoconfiança” e “sem patologias”.
No entanto, o suspeito “passou por um longo período de depressão que o levou a demitir-se das suas funções”. O jornal realçou ainda que um perfil em seu nome na rede social Facebook “mostra inúmeras publicações com tendência conspirativa e antissemita, sendo a mais recente datada do mês de março”.
Já a BFMTV apontou que “foi […] aberto um inquérito em França por ‘desaparecimento preocupante’”, sendo que “os investigadores obtiveram provas de que a mãe se encontrava em Espanha”. “A família foi vista […] no dia seguinte ao seu desaparecimento, a 12 de maio, nas imagens de uma câmara de videovigilância de um posto de abastecimento na Península Ibérica”, e “todos pareciam estar de boa saúde”.
O canal disse ainda que, “de acordo com os primeiros indícios da investigação, parece que a mãe mantinha, há algumas semanas, uma relação com um homem francês que possui uma casa em Espanha”. “Uma das hipóteses, neste momento, é que tenha querido juntar-se a ele no estrangeiro. No entanto, as razões pelas quais as crianças foram abandonadas continuam por apurar”, lê-se.
À AFP, Eugénia Quintas contou que cada menino tinha “consigo uma laranja, uma pêra e uma garrafa de água”. “Não vimos sinais de maus-tratos. Talvez a mãe tenha deixado tudo isso para que os filhos pudessem sobreviver pelo menos durante um dia”, equacionou.
“Vendaram-nos os olhos e mandaram-nos procurar um brinquedo escondido. Quando tirei a venda, o carro da mamã já não estava lá, tinha desaparecido”, ter-lhe-á dito uma das crianças.
A TFI Info, por seu turno, fez um apanhado da situação, que intitulou de “Duas crianças francesas encontradas sozinhas em Portugal, a mãe detida… o que se sabe sobre o caso”.
Marine, de 41 anos, e Marc, de 55 anos, foram detidos esta quinta-feira, em Fátima. O porta-voz da GNR, Carlos Canatário, asseverou, em declarações à RTP, que há dois processos em França associados à mulher: um sobre responsabilidade de poder parental, entre pai e mãe, e outro por subtração de menores, referente a um filho de 16 anos que terá sido abandonado em França.
Uma vez que existem mandatos de detenção europeus em simultâneo, os suspeitos “terão de ser presentes também ao Tribunal da Relação, independente do que seja tratado” no Tribunal de Setúbal, na tarde de sexta-feira.

O ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, escusou-se a fornecer informações sobre a investigação criminal no caso das crianças francesas que foram encontradas sozinhas junto à via pública, no concelho de Alcácer do Sal, tendo salientado que “o que interessa é que estão bem”.
Daniela Filipe | 18:06 – 21/05/2026

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