El Koudri também foi detido por "estrangeiros". "Vejo muitos abutres"

El Koudri também foi detido por "estrangeiros". "Vejo muitos abutres"

El Koudri também foi detido por "estrangeiros". "Vejo muitos abutres"


O presidente da Câmara de Modena, Massimo Mezzetti, salientou, este domingo, que o jovem de 31 anos que atropelou e feriu pelo menos oito pessoas, no sábado, também foi intercetado por “cidadãos estrangeiros”. Alertou, por isso, que “nunca se deve generalizar como se faz nestas horas”, uma vez que tem visto “muitos abutres”. Isto porque, apesar de Salim El Koudri ter nascido em Bergamo, o homem é de origem marroquina, facto que reacendeu o discurso contra a imigração em Itália.

“Além de agradecer mais uma vez a Luca Signorelli [o homem que foi esfaqueado ao intercetar Salim El Koudri], saliento que, entre aqueles que o imobilizaram, estavam cidadãos estrangeiros. Por isso, nunca se deve generalizar como se faz nestas horas. Vejo muitos abutres”, criticou, ao chegar ao Hospital de Baggiovara, este domingo.
O autarca deu conta de que dois egípcios e alguns lojistas paquistaneses também intervieram para deter o homem, que tentou fugir do local.
“Temos de nos precaver contra dois perigos neste momento: o perigo destes atacantes ou destes loucos que desencadeiam estes dramas, mas também daqueles abutres que, em vez de unirem a comunidade, alimentam o ódio e o rancor para lucrar politicamente. Felizmente, devo dizer que as várias forças políticas, incluindo, em particular, as da oposição na cidade, como a Forza Italia e a Fratelli d’Italia, adotaram uma postura muito equilibrada e responsável, e não se deixaram levar por essa tendência de oportunismo”, considerou, citado pelo Corriere della Sera.
“Não tivemos medo; somos egípcios, só temos medo de Deus”
Há 30 anos que Osama Shalaby vive em Itália, mas não tem cidadania italiana. O homem de 56 anos nasceu no Egito, trabalha como pedreiro e foi um dos transeuntes que intercetou Salim El Koudri.
“Há 30 anos que vivo em Itália, mas não sou cidadão italiano. Espero que o meu gesto sirva para alguma coisa. O nosso sonho é ter uma habitação social, onde possamos viver em família”, confessou, de acordo com agência Ansa.
O seu filho de 20 anos, Mohamed, juntou-se a si há uns meses. Pai e filho, que vivem na região de Milão e estão em Modena de passagem, não estavam no Hospital de Baggiovara, mas não foi por isso que deixaram de receber agradecimentos.
“Não tivemos medo; somos egípcios, só temos medo de Deus”, garantiu Shalaby.
Luca Signorelli, que foi esfaqueado pelo agressor, e Fabrizio Gallanza, que passeava com a mulher, são outros dos homens que perseguiram Salim El Koudri. Ambos encontraram-se esta manhã naquela unidade hospitalar com o presidente da República, Sergio Mattarella, e com a primeira-ministra, Giorgia Meloni.
“O que torna heróica uma pessoa normal é o momento em que o coração decide fazer o bem, mesmo quando isso implica um risco. Os heróis, no fundo, não são pessoas extraordinárias: são homens e mulheres comuns que, num momento decisivo, colocam o que é certo acima de si próprios. E é precisamente nessa escolha, tão humana e tão luminosa, que uma vida normal se torna um exemplo e deixa uma marca destinada a perdurar. Obrigada, Luca”, disse Meloni, dirigindo-se a Signorelli.
O homem foi recebido com uma ovação e não conteve a emoção: “Mostrei que Itália não morreu, ainda existe.”
Aliás, o italiano de 47 anos deu conta de que viu “pessoas a desviarem o olhar porque tinham medo”. “Às vezes é preciso reagir”, considerou.
Fabrizio Gallanza, por sua vez, disse sentir sobretudo “amargura e muita tristeza pelas pessoas feridas”. “O que fizemos passa para segundo plano”, disse.
O decorador, que se encontra de férias, estava no centro de Modena a passear com a mulher quando o ataque ocorreu.
“Estava a poucos metros do local onde ocorreu o impacto final, onde a mulher perdeu as pernas. […] Tentei proteger-me e consegui empurrar a minha mulher para dentro de uma loja. Ao ver o homem a sair do carro, perseguimo-lo e depois e acabámos por imobilizá-lo”, relatou.
Que se sabe dos feridos?
Um casal italiano de 55 anos encontra-se internado na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Bolonha. Ainda que estejam estáveis, continuam a ser considerados feridos muito graves: a mulher tem vários traumatismos e está entre a vida e a morte, enquanto o homem já não corre perigo de vida.
No Hospital Civil de Baggiovara, em Modena, está uma alemã de 69 anos, que ficou com as pernas amputadas. A mulher, que foi operada nas últimas horas, permanece em estado grave, mas estável. Nesta unidade está também internada uma polaca de 53 anos, que foi submetida a várias intervenções cirúrgicas. O prognóstico de ambas é reservado. Um italiano de 59 anos também se encontra neste hospital, com um traumatismo facial. O homem, que passou a noite em observação nas Urgências, foi visitado pelo presidente italiano, Sergio Mattarella.
Entretanto, os restantes três feridos já receberam alta do centro de saúde de Modena. Ao que se sabe, são todos italianos. Trata-se de uma jovem de 22 anos, que sofreu um traumatismo craniano, um homem de 30 anos, que teve um ataque de pânico, e Luca Signorelli, que foi esfaqueado.

Quem é Salim El Koudri, o homem de 31 anos que atropelou cerca de uma dezena de pessoas, no centro de Modena, em Itália, e que esfaqueou um transeunte que tentou impedi-lo de fugir do local? Eis o que se sabe.
Daniela Filipe | 22:53 – 16/05/2026

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