Lei laboral? "Condenada a fracassar. Não é assim que se fazem reformas"

Lei laboral? "Condenada a fracassar. Não é assim que se fazem reformas"

Lei laboral? "Condenada a fracassar. Não é assim que se fazem reformas"


O antigo presidente da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, considerou, este domingo, que a lei laboral “está condenada a fracassar na Assembleia da República”, notando que o PS já anunciou que vai votar contra na generalidade e que o Chega não dá garantias de um voto favorável.

“Não tenho esperança, porque não é assim que se fazem reformas”, afirmou, no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias, o programa “Visto Assim”.
Apesar das críticas à forma como o Governo tem atuado, o liberal, contudo, notou que a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, “esteve bem na apresentação a seguir ao Conselho de Ministros”, em que a proposta da lei laboral que vai ser levada ao Parlamento foi aprovada. Depois, também “esteve bem na entrevista à noite na televisão”.
“Acho que recuperou alguma da [sua] iniciativa política – tarde, muito tarde. E disse uma frase que acho que se deve dizer nesta altura: agora, cabe à Assembleia da República assumir as suas responsabilidades”, afirmou.
E acrescentou: “Só tenho pena que isso aconteça seis meses mais tarde do que o que seria estritamente necessário e que não seja uma de cinco, ou seis ou sete reformas que estivessem a ser discutidas ao mesmo tempo. Porque uma legislatura de quatro anos que não começa com uma grande vontade reformista – que, repito, não tem mostrado – não vai conseguir mudar Portugal a tempo.”
Questionado sobre se a ministra em causa estaria a tentar fugir ao dizer que esta reforma era “do Governo” e não sua, Cotrim Figueiredo rejeita a hipótese, referindo que “o Governo quase todo se envolveu na discussão deste diploma” e que, por isso, essa expressão da ministra era uma forma de retratar a “verdade”.
“Tenho desta ministra uma imagem de frontalidade. Não me parece que esteja a fugir de nada”, considerou.
O liberal aproveitou também para deixar críticas ao Chega, devido às suas exigências para aprovar a lei laboral, nomeadamente a idade da reforma. Cotrim Figueiredo disse duvidar “muito” e esperar mesmo que “o Governo não ceda nessas matérias”.
Quanto ao aumento dos dias de férias, também proposto, pelo Chega atirou: “Não sei bem se faz parte da reforma laboral [ou] se faz parte da reforma eleitoral que o Chega quer fazer para conquistar mais algum eleitorado.”
Climáximo? “Conjunto de pirralhos mimados”
Ainda sobre o contexto nacional, o ex-candidato a Presidente da República decidiu também deixar uma palavra ao incidente com o grupo Climáximo, que furtou produtos alimentares de um supermercado para, depois, distribuir pelos mais desfavorecidos. Na ótica de Cotrim Figueiredo, este foi mais um ato de “um conjunto de pirralhos mimados que, porque não precisam de trabalhar, porque tem outras formas de sustento, tentam gozar autenticamente com a vida do português trabalhador decente e comum”.
“Porque o português trabalhador, decente e comum tem de ir trabalhar e não pode ter bloqueios seja na segunda circular, no eixo norte-sul ou no acesso ao aeroporto. O português comum decente e trabalhador não gosta de ver propriedade vandalizada e não gosta de saber que se calhar é a sua autarquia que vai ter de pagar a limpeza ou o restauro daquele ato de vandalismo. E o português decente, trabalhador e comum, quando precisa de alguma coisa, compra. Não vai ao supermercado e sai sem pagar. Não rouba”, disse.
O liberal considerou ainda que há uma “banalização de ações criminosas para chamar a atenção” que não prestam um serviço à democracia. Além disso, acusou ainda a Climáximo de ser “um grupo de pessoas afiliadas à extrema esquerda” que já não defende a causa climática.

Apoiantes do movimento Climáximo entraram hoje num supermercado no Campo Pequeno, em Lisboa, de onde tiraram dezenas de produtos, sem os pagar, e foram distribui-los por pessoas pobres, informou o coletivo.
Lusa | 20:15 – 14/05/2026

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