Kevin Warsh, um ex-governador da ala republicana da Fed mais agressivo
Warsh vai assim suceder a Jerome Powell quando o mandato do atual presidente do banco central americano terminar esta sexta-feira, sendo que a nomeação foi confirmada pelo Senado, que tem maioria republicana, na quarta-feira.
Warsh foi confirmado numa votação maioritariamente partidária, por 54 votos contra 45, depois da sua nomeação ter sido colocada em dúvida nos últimos meses, após o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, ter dito que iria bloquear a nomeação enquanto o Departamento de Justiça investigasse o presidente da Fed, Jerome Powell.
A investigação sobre Powell foi arquivada em abril, abrindo caminho para o Senado confirmar Warsh.
Natural de Albany, Nova Iorque, Kevin Warsh formou-se em Direito em Stanford e Harvard e trabalhou até 2002 na Morgan Stanley, onde chegou ao cargo de vice-presidente.
Deixou o banco para se tornar um dos conselheiros económicos do presidente George W. Bush, especificamente responsável por fluxos de capital, mercados financeiros e setor bancário.
Foi durante esse período que casou com Jane Lauder, herdeira do grupo de cosméticos Estée Lauder, ligação familiar que o aproxima de Donald Trump.
O pai de Jane, Ronald Lauder, multimilionário e um dos principais financiadores do Partido Republicano, é amigo de infância do presidente norte-americano e seu conselheiro ocasional.
Warsh foi nomeado para o cargo de governador da Fed em 2006 pelo então presidente republicano George W. Bush e, aos 35 anos, tornou-se o membro mais jovem do Conselho de Governadores da história do banco central.
Durante a crise financeira de 2008, foi o principal elo de ligação entre a Fed e o setor financeiro de Wall Street, tendo também representado o banco central no G20.
Podia ter permanecido no cargo até 2018, o fim previsto do seu mandato, mas renunciou em 2011, criticando a continuidade da política monetária altamente acomodatícia adotada para apoiar a recuperação após a crise financeira de 2008. Esta decisão classificou-o como um “falcão”, termo usado para descrever autoridades fortemente comprometidas com o combate à inflação e resistentes a cortes nas taxas de juros.
Este ponto pesou contra Warsh aos olhos da atual administração, mas passou o ano de 2025 a enviar sinais favoráveis à Casa Branca, defendendo cortes nas taxas de juros e criticando o banco central.
Warsh posicionou-se nos últimos meses como defensor das políticas presidenciais e crítico do banco central, tendo defendido que “os americanos teriam salários líquidos mais altos e maior poder de compra se os dirigentes da Reserva Federal parassem de defender os seus erros e começassem a corrigi-los”.
Segundo Warsh, o banco central deve, em particular, “abandonar o dogma de que a inflação é causada por crescimento económico excessivo e salários excessivamente altos”.
A inflação ocorre “quando o Governo gasta demais”, concluiu.
Atualmente, o republicano é investigador na Hoover Institution, de tendência conservadora, e professor na Stanford Graduate School of Business.
Esta escolha surgiu num contexto marcado por críticas à pressão da Casa Branca sobre o banco central norte-americano, cuja independência é considerada fundamental para cumprir o duplo mandato de controlar a inflação e impulsionar o emprego.
Warsh prometeu, durante a sua audiência de confirmação no Senado, “garantir que a condução da política monetária permaneça estritamente independente” e disse que o Presidente não lhe pediu para reduzir as taxas de juros.
Nessa audição, Warsh prometeu uma “mudança de regime” no banco central, que pode trazer mudanças nos modelos económicos, estratégias de comunicação e balanço da instituição.
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