Terça-feira "horribilis" para Starmer? As demissões do governo britânico
A pressão interna sobre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, tem vindo a crescer de dia para dia. Há quem defenda a sua saída e há também quem defenda a sua continuidade. Porém, esta terça-feira, sucedem-se os casos de demissão.
Starmer assume responsabilidade pelos maus resultados nas eleições locais e regionais de 7 de maio, quando o ‘Labour’ perdeu mais de 1.500 autarcas e a maioria no parlamento autónomo do País de Gales, mas recusa demitir-se.
A tensão no Partido Trabalhista dá continuidade a um período de grande instabilidade política, com mudanças frequentes na liderança, sobretudo após o referendo do Brexit e as crises internas no Partido Conservador.
No espaço de poucas horas, três ministras do governo de Starmer apresentaram a demissão: a ministra Miatta Fahnbulleh, a ministra Jess Phillips e a ministra Alex Davies-Jones. A esta três governantes juntam-se as demissões, apresentadas na segunda-feira, por seis subsecretários de Estado.
Além disso, segundo a imprensa, quatro ministros – incluindo as ministras do Interior, Shabana Mahmood, e dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper – terão sugerido diretamente a Starmer que considerasse anunciar um calendário para a sua saída.
Afinal, quem já apresentou demissão?
Miatta Fahnbulleh demitiu-se do cargo de ministra da Habitação e Comunidades, tendo ainda apelado à demissão do primeiro-ministro Keir Starmer.
“Esta manhã, enviei a minha carta de demissão ao primeiro-ministro. Exorto o primeiro-ministro a fazer o que é certo para o país e para o partido e a estabelecer um calendário para uma transição ordenada”, comunicou a governante, partilhando nas suas redes sociais a carta completa da sua demissão.
“O nosso país enfrenta enormes desafios e as pessoas clamam por uma mudança à altura do que isso exige. O público não acredita que o senhor seja capaz de liderar esta mudança – e eu também não”, escreveu Miatta Fahnbulleh.
Cerca de três horas depois, vinha a público que ministra para a Proteção e Combate à Violência contra Mulheres e Meninas, Jess Philips, tinham também apresentado a sua demissão, deixando críticas à liderança de Keir Starmer.
“Começámos a dar passos no sentido da mudança enquanto estávamos no governo e estou muito grata pelo seu apoio. No entanto, seria negligente da minha parte não referir que as verdadeiras mudanças e orientações nesta área surgiram, na maioria das vezes, das ameaças que eu própria fiz em resposta a erros catastróficos. Sempre que a saga Mandelson voltava a surgir, o Número 10 entrava em ação sobre o assunto, a fim de provar as nossas credenciais. Nunca desperdiçaria uma crise para promover avanços em prol das mulheres e das raparigas; assim, foram feitas exigências e algumas foram atendidas”, apontou, na missiva divulgada pela BBC.
Phillips ressalvou considerar que, “no fundo, [Starmer é] um bom homem, que se preocupa com as coisas certas”, mas indicou ter visto “em primeira mão que isso não é suficiente”.
E eis que minutos depois, uma nova demissão. Desta vez, a ministra para as Vítimas e para o Combate à Violência contra Mulheres e Meninas, Alex Davies-Jones.
“Caro Keir, tem sido a honra da minha vida servir o governo de Sua Majestade como Ministra para as Vítimas e para o Combate à Violência contra Mulheres e Meninas”, pode ler-se num comunicado partilhado na rede social X, endereçado ao primeiro-ministro britânico.
Para a Alex Davies-Jones, “a escala das derrotas no Senedd Cymru (Parlamento britânico) e por todo o Reino Unido tem sido catastrófica”, notando que “o país falou e devemos ouvir”.
A ministra concluiu pedindo para que Starmer “aja pelo interesse do país e estabeleça um calendário para a sua saída”.
O que pode acontecer a Keir Starmer?
Existem várias formas de Starmer sair do cargo de primeiro-ministro, algumas mais diretas do que outras: a opção mais simples seria o próprio anunciar a sua intenção de se demitir, o que desencadearia automaticamente um processo de eleições para a liderança do Partido Trabalhista.
Se decidir abandonar o cargo de imediato, um líder interino pode ser escolhido para assumir o lugar de primeiro-ministro até se conhecer o novo líder eleito.
Segundo as regras do Partido Trabalhista, os candidatos à liderança devem ter o apoio de 81 deputados, número equivalente a um quinto dos 403 deputados do partido na Câmara dos Comuns.
Se forem convocadas eleições, os candidatos que alcançarem esse limiar de apoio terão ainda de garantir o apoio de 5% das concelhias trabalhistas ou de pelo menos três entidades afiliadas do partido, como sindicatos.
Os membros elegíveis do partido e as entidades afiliadas votarão então no novo líder através de um sistema eleitoral que classifica os candidatos, sendo eleito o primeiro a obter mais de 50% dos votos.
O rei Carlos III convidaria nesse caso o vencedor para assumir o cargo de primeiro-ministro e formar um novo governo sem convocar novas eleições legislativas.
Se Starmer não se demitir, poderá ser desafiado por um ou mais deputados trabalhistas, que teriam de cumprir os mesmos critérios de elegibilidade, podendo o próprio líder também concorrer.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está sob pressão interna para se demitir, mas as opções para forçar a sua saída são limitadas e nem todos os potenciais candidatos querem uma solução imediata.
Lusa | 12:00 – 12/05/2026
Recorde-se que, no início deste ano, os dirigentes do Partido Trabalhista impediram Keir Starmer de se candidatar a uma eleição parlamentar parcial em Gorton e Denton.
Para que Burnham possa regressar à Câmara dos Comuns, teria de acontecer a demissão de um deputado trabalhista num círculo seguro, o que desencadearia uma eleição parcial.
O processo, no entanto, pode demorar vários meses e implica necessariamente que o candidato consiga vencer esse escrutínio.
Ao contrário do Partido Conservador, que já afastou figuras de liderança como Margaret Thatcher em 1990 e Boris Johnson em 2022, o Partido Trabalhista não tem um historial de destituir os seus líderes em pleno mandato.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está sob pressão interna para se demitir, mas as opções para forçar a sua saída são limitadas e nem todos os potenciais candidatos querem uma solução imediata.
Lusa | 12:00 – 12/05/2026
De salientar ainda que mais de 70 deputados num total de 403 manifestaram-se publicamente nos últimos dias a favor da demissão de Starmer, imediata ou nos próximos meses. No entanto, o primeiro-ministro desafiou potenciais rivais a desencadearem uma eleição interna no Partido Trabalhista, reiterando que não pretende deixar o cargo.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, desafiou hoje potenciais rivais a desencadearem uma eleição interna no Partido Trabalhista, reiterando que não se pretende demitir.
Lusa | 10:14 – 12/05/2026



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