Amnistia Internacional diz que Eurovisão “traiu a humanidade” com participação de Israel

Amnistia Internacional diz que Eurovisão “traiu a humanidade” com participação de Israel

Amnistia Internacional diz que Eurovisão “traiu a humanidade” com participação de Israel

Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional desde 2021, acusa a União Europeia de Radiodifusão (UER) de “cobardia” e de ter “dois pesos e duas medidas” ao não ter excluído Israel da edição de 2026 da Eurovisão, ao contrário do que fez, há quatro anos, com a Rússia.Num comunicado da Amnistia Internacional partilhado com a imprensa e divulgado na madrugada desta segunda-feira, a porta-voz da organização não-governamental de defesa dos direitos humanos é citada a dizer que “em vez de enviar uma mensagem clara de que há um custo para os crimes atrozes de Israel contra o povo palestiniano”, a UER “concedeu a Israel este palco internacional, mesmo quanto continua a cometer genocídio em Gaza, e a manter uma ocupação ilegal e apartheid”.A aliança das emissoras públicas europeias, que organiza o festival, cuja 70.ª edição decorre entre esta terça-feira e sábado, em Viena, na Áustria, está, segundo Agnès Callamard, “a trair os valores do Festival Eurovisão da Canção”, listando que este evento deve ser isento de “intolerância, do discurso de ódio e de discriminação”. Ao mesmo tempo, “está também a ignorar os protestos dos seus membros de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, que se retiraram do concurso devido à participação de Israel”. No comunicado, Agnès Callamard acrescenta: “Em última análise, a EBU traiu a humanidade”.Alega ainda que se dá “ao país uma plataforma para tentar desviar a atenção e normalizar o genocídio em curso na Faixa de Gaza ocupada, bem como as suas medidas no sentido de uma maior anexação de Gaza e da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e o seu sistema de apartheid contra os palestinianos”. Fala das “decisões e pareceres dos tribunais internacionais” e de outros órgãos como as Nações Unidas, que, “ao longo das últimas décadas, têm condenado repetidamente Israel pelas suas múltiplas e flagrantes violações”.“Não se pode permitir que canções e lantejoulas abafem ou desviem a atenção das atrocidades de Israel ou do sofrimento palestiniano. Não deve haver palco para Israel na Eurovisão enquanto houver um genocídio em curso”, continua. “A impunidade de Israel não pode continuar a ser tolerada, e as pessoas em todo o mundo devem agir de acordo com a sua consciência e defender os direitos humanos”, finaliza.A primeira semifinal, em que actuam os portugueses Bandidos do Cante com Rosa, passa em directo na RTP1 esta terça-feira a partir das 20h. Desde 2020 que o concurso tem como patrocinador principal a empresa de cosmética israelita Moroccanoil, uma parceria que foi renovada este ano.

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