Philippe Vergne vai deixar de ser director do Museu de Serralves já em Julho

Philippe Vergne vai deixar de ser director do Museu de Serralves já em Julho

Philippe Vergne vai deixar de ser director do Museu de Serralves já em Julho

Philippe Vergne está de saída do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, ao fim de sete anos como seu director. A Fundação de Serralves anunciou-o ao final desta tarde num comunicado de cinco parágrafos em que acrescenta que o mandato do curador francês terminará no final de Julho, a seu pedido.Vergne chegou ao Porto em 2019, depois de um período particularmente conturbado na instituição, que opôs o conselho de administração, à data presidido por Ana Pinho, ao então director do museu, João Ribas, que acabaria por se demitir. O curador francês continuará a dar “o seu valioso contributo na curadoria de algumas exposições” de forma a assegurar a programação prevista para este ano, pode ler-se na mesma nota.“A Fundação de Serralves expressa o seu profundo reconhecimento a Philippe Vergne pelo trabalho desenvolvido ao longo destes sete anos, durante os quais trouxe a Serralves artistas e exposições de grande relevo, e que permitiu colocar o museu num patamar internacional ainda mais elevado”, diz ainda a instituição, assegurando que o curador deixou já pronta — e apresentada à administração — a programação para 2027.Serralves irá lançar “de imediato” os procedimentos necessários para encontrar uma nova direcção para aquele que é um dos museus de arte contemporânea mais importantes do país. A nomeação de Vergne, recorde-se, decorreu de um processo de selecção internacional, à semelhança do que deverá acontecer agora com o seu sucessor. O PÚBLICO não conseguiu ainda apurar junto da instituição, porém, qual será exactamente o modelo que orientará a escolha do novo director. Tanto João Ribas como a sua antecessora, a curadora Suzanne Cotter, de nacionalidade australiana e britânica, foram escolhidos por concurso.Ao contrário de outras instituições semelhantes, Serralves não impõe uma duração fixa para os mandados do director do museu, sendo os contratos celebrados por tempo indeterminado.De Los Angeles para o PortoNascido em 1966, o curador que agora pediu para se afastar da liderança do Museu de Arte Contemporânea de Serralves aterrou no Porto em Abril de 2019, depois de, entre 2014 e 2018, ter dirigido o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (MOCA), instituição de que saiu por mútuo acordo, não sem antes ter estado envolvido no polémico despedimento da sua curadora principal, a muito respeitada Helen Molesworth, lembrava o PÚBLICO à data do anúncio da sua nomeação.Apesar da saída algo abrupta do MOCA, o francês terá ali deixado também boas memórias, nomeadamente no departamento financeiro — contribuiu decisivamente para reequilibrar as contas, segundo o jornal Los Angeles Times — e entre os artistas que integravam a administração do museu, como Ed Ruscha.Ainda que sem a controvérsia que antecedeu o afastamento do museu de Los Angeles, o seu pedido de demissão de Serralves soa repentino. O comunicado deste fim de tarde não detalha os motivos, mas parece deixar antever que o director já tem novo cargo à sua espera: “A Fundação de Serralves deseja a Philippe Vergne todo o sucesso nas suas futuras funções.” Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete de comunicação da fundação não pôde precisar qual será o próximo destino profissional do curador.Além do MOCA e do museu de Serralves, Philippe Vergne tem no currículo a direcção do Museu de Arte Contemporânea de Marselha, de que foi, aliás, o primeiro responsável, e da Dia Art Foundation, em Nova Iorque. Aos cargos institucionais, este homem que associou à sua formação em Direito a outra em Arqueologia e História de Arte Moderna vem juntando, desde 1992, uma intensa actividade na curadoria, sendo responsável por monográficas de artistas como Yves Klein e Carl André.Em Serralves, entre as exposições que assinou contam-se Sussurro, de Maurizio Cattelan, Ágora, de Mark Bradford, e Provas Materiais (obras de Aria Dean, Cameron Rowland, Hugo Flores e Paulo Mariz, Nour Mobarak, P. Staff, Sara Deraedt e Tarik Kiswanson).Em Abril de 2019, numa conferência de apresentação no Porto, dizendo aos jornalistas ao que vinha enquanto director, falou do museu como “lugar de conhecimento, de aprendizagem e de descoberta”, garantindo que queria tornar as propostas que levasse a Serralves, “mesmo as mais difíceis, acessíveis a um público abrangente”. Que avaliação faz agora dos seus anos à frente do MACS é algo que o sucinto comunicado da fundação não enuncia.

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