Irão revela exigências para ir ao Mundial: "Não somos convidados dos EUA"
Mehdi Taj, presidente da Federação de Futebol da República Islâmica do Irão (FFIRI), concedeu, este domingo, uma extensa entrevista à agência noticiosa nacional WANA, na qual desvendou uma parte das dez condições que impôs para vir a participar no Campeonato do Mundo, na sequência da guerra com os Estados Unidos da América, um dos organizadores.
“Uma das questões mais importantes é que os vistos devem ser emitidos para todos os membros da equipa, sem quaisquer exceções, e toda a gente deve ser autorizada a entrar sob iguais condições. Houve conversas sobre alguns indivíduos possivelmente não receberem os vistos, mas nós não somos convidados do país anfitrião, somos convidados da FIFA, e a FIFA deve garantir esta questão”, começou por afirmar.
“Outra condição importante é que, depois de os vistos serem emitidos nenhuma entrevista ou restrição adicionais deve ser imposta a membros da equipa. Além disso, nenhuma bandeira ou símbolo não relacionados deverão estar presentes no interior dos estádios”, prosseguiu, reclamando, ainda, que o hino iraniano seja devidamente respeitado.
“Competições anteriores demonstrarem que podem surgir, por vezes, problemas, a este respeito, por isso, esta questão deve ser totalmente respeitada (…). Estas garantias devem ser dadas pela FIFA e, depois, comunicadas às equipas através da FIFA, e não diretamente pelo país anfitrião”, completou.
“Passaram-se dez dias desde que voltámos do Canadá, mas a nossa bagagem ainda não foi enviada de volta”
Mehdi Taj realçou, ainda, a importância de não se repetirem episódios como aquele que marcou a passada semana, quando uma delegação da FFIRI viu a entrada ‘barrada’ no Canadá (outro dos países que irá receber a competição, juntamente com EUA e México), pelo que não teve alternativa a não ser regressar a Teerão, o que motivou um pedido de desculpa por parte da FIFA.
“Estou preocupado com o Mundial. Se nós fomos tratados desta maneira, no Canadá, e este assunto não for levado a sério, a situação nos Estados Unidos da América pode ser ainda pior. Passaram-se dez dias desde que voltámos do Canadá, mas a nossa bagagem ainda não foi enviada de volta. Não faço ideia do que é que aconteceu às nossas malas”, lamentou.
Nesse sentido, fez saber que está a trabalhar no sentido de reservar um “voo direto da Turquia para os Estados Unidos da América, através de companhias de aviação iranianas”, para evitar constrangimentos semelhantes. Será, precisamente, na Turquia onde decorrerá o último estágio antes do arranque do Mundial2026, que durará entre dez a 15 dias.
“Durante esse período, o processo de emissão dos vistos deve estar totalmente finalizado, porque os vistos ainda não foram emitidos para todos os membros da equipa, e já não sobra muito tempo (…). Isto são requisitos padrão para receber competições internacionais, mas, devido a sensibilidades relacionadas com a organização de uma prova nos Estados Unidos da América, devem ser cuidadosamente revistas”, alertou.
“Relativamente ao processo dos vistos, pedimos que os procedimentos sejam levado a cabo em Ankara, e, se possível os requisitos de impressões digitais sejam dispensados, para que os vistos possam ser emitidos mais rapidamente e no menos período de tempo possível”, reforçou o líder máximo do organismo.
“O nosso objetivo é que a seleção nacional entre no Mundial sem preocupações administrativas ou logísticas, permitindo que todo o foco permaneça nas preparações técnicas e no rendimento durante o torneio”, concluiu. O Irão, recorde-se, está inserido no Grupo G do Mundial2026, juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica.
Leia Também: Mundial2026 terá três cerimónias de abertura… em três países distintos



Publicar comentário