Pentágono divulga ficheiros secretos sobre extraterrestres — e há mais a caminho
Donald Trump não se ficou pelas promessas e, menos de três meses depois de o anunciar, a ordem cumpriu-se: o Pentágono divulgou, no final desta sexta-feira, dezenas de arquivos governamentais relacionados com alienígenas e objectos voadores não identificados, para proporcionar o que apelidou de “transparência sem precedentes” ao povo norte-americano, embora vários analistas afirmem que muitos dos documentos já tinham sido tornados públicos.Ainda assim, em apenas 12 horas, o site que o Governo norte-americano criou para alojar as centenas de ficheiros teve 340 milhões de acessos, segundo revelou neste sábado o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell. Espera-se que sejam divulgados mais documentos nos próximos 30 dias.O primeiro lote, de cerca de 160 arquivos, inclui novos vídeos de avistamentos conhecidos, mas não fornece evidências conclusivas de tecnologia alienígena ou de vida extraterrestre. Os arquivos incluem um relatório de 1947 sobre “discos voadores”, bem como fotografias de baixa qualidade de “fenómenos não identificados” tiradas da superfície da Lua pela missão lunar Apollo 12 em 1969, além de uma transcrição da tripulação da Apollo 17 que descreve objectos não identificados vistos da Lua em 1972.Num longo comunicado em que anuncia a divulgação dos ficheiros, o Pentágono refere que, ao contrário de governos anteriores, que acusa de “desacreditarem ou dissuadirem o povo norte-americano”, Donald Trump está focado em garantir “a máxima transparência”. “O público pode, em última análise, formar a sua própria opinião sobre a informação contida nestes ficheiros”, afirmou o Pentágono, acrescentando que novos documentos serão divulgados gradualmente.Também Pete Hegseth, secretário da Defesa, afirmou, num comunicado publicado na sua conta pessoal no X, que estes arquivos, “escondidos por trás do confidencial, há muito alimentam especulações justificadas” e que chegou a altura de os norte-americanos “terem acesso a eles”.O grande destaque dos ficheiros divulgados vai para o relato de Buzz Aldrin, astronauta da Apollo 11 e o segundo homem a pisar a Lua, que, num relatório de 1969, diz ter visto um objecto “de tamanho considerável” próximo à superfície lunar e uma “fonte de luz muito brilhante”, que a tripulação acreditava ser um laser.O lote também inclui antigos telegramas do Departamento de Estado, documentos do FBI e transcrições de voos tripulados da NASA ao espaço. Outras páginas, já com décadas, apresentam relatos ambíguos de testemunhas oculares sobre encontros ou supostos avistamentos de extraterrestres.Por exemplo, um documento de 1947, anteriormente classificado como confidencial, do quartel-general do Comando de Defesa Aérea em Nova Iorque, apresenta os relatos do piloto e do navegador de um avião comercial da Pan American World Airways (Pan Am), que afirmam ter avistado momentaneamente um misterioso “objecto laranja brilhante” no céu. O objecto ficou visível durante apenas alguns segundos e depois desapareceu por detrás de uma nuvem, disseram os membros da tripulação.Um documento mais recente dá detalhes sobre uma entrevista do FBI a alguém identificado como piloto de drone que, em Setembro de 2023, relatou ter visto um “objecto linear” com uma luz tão brilhante que era possível “ver faixas dentro da luz” no céu. “O objecto ficou visível durante cinco a dez segundos, depois a luz apagou-se e o objecto desapareceu”, segundo o depoimento recolhido pelo FBI.Juntamente com inúmeros relatórios escritos, há uma colecção de arquivos de vídeo de câmaras militares posicionadas em vários locais do mundo. Há imagens de um objecto em formato de bola de futebol avistado sobre o mar da China Oriental em 2022 e imagens gravadas nos últimos anos de pontos a mover-se erraticamente e a velocidades diferentes nos céus do Iraque, da Síria e dos Emirados Árabes Unidos.Numa publicação na sua rede social, a Truth Social, Trump instruiu os norte-americanos a “divertirem-se”. “Os governos anteriores não foram transparentes sobre este assunto, mas com estes novos documentos e vídeos, o povo pode decidir por si mesmo”, escreveu o Presidente.Uma distracção dos ficheiros EpsteinA medida foi bem recebida por muitos defensores da desclassificação dos arquivos, incluindo o novo administrador da NASA, Jared Isaacman, que “aplaudiu o esforço conjunto do Governo Trump para trazer maior transparência” ao povo norte-americano sobre os fenómenos anómalos não identificados (UAP, na sigla em inglês), como agora são conhecidos os objectos voadores não identificados (OVNI).“Na NASA, o nosso trabalho é reunir as mentes mais brilhantes e os instrumentos científicos mais avançados, analisar os dados e partilhar o que aprendemos. Manteremos a transparência sobre o que sabemos ser verdade, o que ainda não compreendemos e tudo o que ainda está por ser descoberto. A exploração e a procura pelo conhecimento são essenciais para a missão da NASA, enquanto nos esforçamos para desvendar os segredos do universo”, referiu, no comunicado divulgado pelo Pentágono.Para o astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, ouvido pela agência Reuters, os arquivos mostram que os UAP não são simplesmente uma questão de especulação ou curiosidade pública”. “O Governo recolheu registos”, referiu o astrofísico, acrescentando que imagens das missões Apollo 12 e 17 eram “fascinantes”, mas poderiam ser resultado de impactos de asteróides na superfície lunar.Por outro lado, há quem considere que as revelações sobre extraterrestres não passam de uma forma de distrair os norte-americanos dos problemas políticos de Trump, incluindo a impopular campanha militar dos EUA contra o Irão e a pressão pública para divulgar mais arquivos relacionados com Jeffrey Epstein.“A Administração mais transparente da história ainda não divulgou todos os arquivos do caso Epstein nem deteve ninguém, mas divulgou alguns arquivos sobre extraterrestres para que vocês fiquem tão animados que se esqueçam de que estão a pagar 4,50 dólares por galão (3,78 litros) de gasolina porque eles estão a travar outra guerra que disseram que não travariam. Feliz sexta-feira a todos!”, escreveu a ex-representante republicana Marjorie Taylor Greene no X.O investigador de fenómenos aéreos não identificados, Mick West, disse que o Governo do ex-presidente Joe Biden já tinha divulgado grande parte das mesmas informações que foram tornadas públicas nesta sexta-feira. “É a prova de que não conseguimos identificar um pequeno ponto branco a uma grande distância”, disse o investigador sobre os novos vídeos e imagens.Trump vinha a insinuar, desde Fevereiro, um anúncio relacionado com documentos sobre OVNI, numa linha semelhante à divulgação recente de ficheiros ligados aos assassínios do antigo Presidente norte-americano John F. Kennedy, do senador Robert F. Kennedy e do activista Martin Luther King Jr. Esses documentos, porém, revelaram poucas informações inéditas, além do que já era conhecido publicamente.Ao longo dos últimos anos, a investigação sobre os avistamentos e os fenómenos no céu, que não tinham uma explicação à partida, recebeu mais atenção, em particular nos EUA. Um painel de 16 especialistas que estudam estes fenómenos reuniu-se em Junho de 2022 e analisaram, “com uma perspectiva científica, acontecimentos no céu que não podem ser identificados como aviões ou fenómenos naturais”.A maioria dos avistamentos, como referiu o astrofísico David Spergel, que chefiou este painel, são “aviões, balões ou drones”, que não estavam planeados ou dos quais não havia conhecimento. Apenas entre 2% e 5% dos avistamentos denunciados se encontram sem explicação e são, portanto, verdadeiros objectos voadores não identificados.Um relatório do Pentágono de 2024 concluiu que as investigações governamentais desde o fim da Segunda Guerra Mundial não encontraram provas de tecnologia extraterrestre e que a maioria dos avistamentos foi identificada erroneamente como objectos e fenómenos comuns.



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