Carlos Brito: BE apresenta voto de pesar e salienta defesa da renovação da esquerda
O BE apresentou este sábado um voto de pesar no parlamento pela morte do histórico dirigente do PCP Carlos Brito, lembrando-o como um “defensor da renovação da prática e do pensamento da esquerda” e “da convergência das forças progressistas”.Neste projecto de voto entregue na Assembleia da República, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, recorda que a resistência de Carlos Brito à ditadura “custou-lhe a liberdade”, tendo sido preso três vezes pela PIDE, estando oito anos na prisão e vivido os últimos anos do Estado Novo entre o exílio em França e a clandestinidade”.”Após a Revolução, foi eleito para a Assembleia Constituinte e exerceu o mandato de deputado em seis legislaturas consecutivas, entre 1976 e 1991, liderando a bancada parlamentar do PCP ao longo de quinze anos e marcando o debate político com palavra firme, cultura e sentido republicano”, referem os bloquistas.O BE lembra ainda que Carlos Brito foi candidato à Presidência da República em 1980, retirando-se a favor de Ramalho Eanes, integrou o Comité Central do PCP e dirigiu o jornal Avante!, sublinhando também que “cultivou ainda a escrita, deixando perto de duas dezenas de títulos publicados, entre poesia, ficção, memórias e ensaio de intervenção política”.”Defensor da renovação da prática e do pensamento da esquerda, foi figura central do Movimento Renovação Comunista e fundador da associação política com o mesmo nome, prosseguindo o seu compromisso com a democracia, o socialismo e a convergência das forças progressistas”, salienta o Bloco de Esquerda.O histórico dirigente do PCP morreu no passado dia 7 de Maio aos 93 anos.Numa breve nota enviada “a pedido de vários órgãos de comunicação social”, o PCP recordou o percurso antifascista e a “contribuição na Revolução de Abril” de Carlos Brito, apesar das “conhecidas diferenças e distanciamento político”.”Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar”, lê-se.Carlos Brito nasceu em Moçambique em 1933 e foi militante do PCP durante 48 anos, como funcionário, membro do Comité Central, líder parlamentar, director do jornal Avante! e candidato à Presidência da República.Esteve entre os dirigentes que reclamaram um congresso extraordinário após a derrota eleitoral do PCP nas autárquicas de 2001. No seguimento da luta interna que opôs os chamados “renovadores” aos defensores da ortodoxia do partido, Carlos Brito foi suspenso do PCP em 2002 por 10 meses.A sanção disciplinar foi decidida pelo Secretariado do partido, entre várias expulsões de críticos da direcção, entre os quais Edgar Correia, já falecido, e Carlos Luís Figueira, que viriam a formalizar alguns anos depois a associação política Renovação Comunista.Desde 1996 que Carlos Brito evidenciou vontade de se afastar de cargos dirigentes, primeiro ao recusar integrar a Comissão Política em 1996 e depois saindo da direcção do Avante!, em 1998.



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