
O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defendeu que as universidades em Moçambique precisam urgentemente de recuperar a sua ligação com a sociedade. Durante uma palestra em Maputo, realizada a 30 de junho de 2026, o histórico estadista alertou que o conhecimento produzido no ensino superior continua demasiado distante das comunidades e dos problemas práticos que assolam as populações do país.
Conhecimento na Gaveta vs. Soluções na machamba
Para Joaquim Chissano, a verdadeira missão da academia não termina na entrega de diplomas ou na escrita de artigos científicos. Ele critica o facto de muitos investigadores produzirem conhecimento relevante apenas para “meter na gaveta” ou enviar para bibliotecas onde o cidadão comum, como o camponês, nunca entrará.
“Quem sabe está na universidade, na sua sala de investigação, a escrever o seu livro e a meter na gaveta, ou mandar para a biblioteca. Mas quando é que o camponês vai à biblioteca? O nosso povo aprende quando vê e acredita quando a pessoa que faz também está interessada”, frisou o antigo estadista.
O líder histórico recordou que a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) teve um papel fulcral na formação de quadros logo após a independência nacional, erguendo o funcionalismo público do Estado. No entanto, Chissano sublinha que os tempos mudaram e que o foco atual das universidades em Moçambique deve passar de uma formação meramente técnica para uma cultura de serviço comunitário ativo.
Os novos desafios globais e a soberania intelectual

As exigências para o ensino superior moçambicano são hoje radicalmente diferentes daquelas vividas na década de 1970. Chissano destacou várias transformações rápidas que as instituições nacionais precisam de acompanhar para não ficarem obsoletas:
- Revolução tecnológica: A inteligência artificial e a transformação digital exigem uma rápida atualização dos currículos escolares.
- Emergência climática: O país é ciclicamente fustigado por ciclones e secas severas, exigindo investigação científica local e aplicada à prevenção de desastres.
- Independência de ideias: O antigo Chefe de Estado defendeu que a soberania intelectual do país constrói-se gerando ideias próprias, reduzindo a dependência exclusiva de soluções importadas.
Do campus para as comunidades: O papel dos estudantes moçambicanos
O recado de Chissano não foi direcionado apenas aos reitores ou docentes, mas também à juventude universitária. O ex-Presidente instou os estudantes das várias universidades em Moçambique a não ficarem à espera de respostas estatais e a liderarem a mudança, identificando problemas locais e transformando a ciência em soluções práticas de desenvolvimento.
Em suma, a academia deve aproximar-se da realidade nacional para que o conhecimento faça sentido além-fronteiras das salas de aula. A ciência em Moçambique precisa de ter “cheiro a terra” e impacto tangível no dia a dia da população que ainda luta contra a pobreza extrema.
Acredita que o ensino superior moçambicano está de costas voltadas para a população ou concorda com o reparo feito pelo antigo Presidente? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo e participe na discussão!
