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Universidades em Moçambique sob fogo: Joaquim Chissano exige ciência voltada para o camponês e as comunidades

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O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defendeu que as universidades em Moçambique precisam urgentemente de recuperar a sua ligação com a sociedade. Durante uma palestra em Maputo, realizada a 30 de junho de 2026, o histórico estadista alertou que o conhecimento produzido no ensino superior continua demasiado distante das comunidades e dos problemas práticos que assolam as populações do país.

Conhecimento na Gaveta vs. Soluções na machamba

Para Joaquim Chissano, a verdadeira missão da academia não termina na entrega de diplomas ou na escrita de artigos científicos. Ele critica o facto de muitos investigadores produzirem conhecimento relevante apenas para “meter na gaveta” ou enviar para bibliotecas onde o cidadão comum, como o camponês, nunca entrará.

“Quem sabe está na universidade, na sua sala de investigação, a escrever o seu livro e a meter na gaveta, ou mandar para a biblioteca. Mas quando é que o camponês vai à biblioteca? O nosso povo aprende quando vê e acredita quando a pessoa que faz também está interessada”, frisou o antigo estadista.

O líder histórico recordou que a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) teve um papel fulcral na formação de quadros logo após a independência nacional, erguendo o funcionalismo público do Estado. No entanto, Chissano sublinha que os tempos mudaram e que o foco atual das universidades em Moçambique deve passar de uma formação meramente técnica para uma cultura de serviço comunitário ativo.

Os novos desafios globais e a soberania intelectual

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Maputo, Mozambique: campus of the Eduardo Mondlane University – set up as a center for higher education in 1962 in what was then Lourenço Marques, the capital of Portugal’s overseas province of Mozambique. Founded by the time of Overseas Minister Adriano Moreira, it was called Estudos Gerais Universitários de Moçambique, in 1968 it became the Universidade de Lourenço Marques – Universidade Eduardo Mondlane – UEM.

As exigências para o ensino superior moçambicano são hoje radicalmente diferentes daquelas vividas na década de 1970. Chissano destacou várias transformações rápidas que as instituições nacionais precisam de acompanhar para não ficarem obsoletas:

  • Revolução tecnológica: A inteligência artificial e a transformação digital exigem uma rápida atualização dos currículos escolares.
  • Emergência climática: O país é ciclicamente fustigado por ciclones e secas severas, exigindo investigação científica local e aplicada à prevenção de desastres.
  • Independência de ideias: O antigo Chefe de Estado defendeu que a soberania intelectual do país constrói-se gerando ideias próprias, reduzindo a dependência exclusiva de soluções importadas.

Do campus para as comunidades: O papel dos estudantes moçambicanos

O recado de Chissano não foi direcionado apenas aos reitores ou docentes, mas também à juventude universitária. O ex-Presidente instou os estudantes das várias universidades em Moçambique a não ficarem à espera de respostas estatais e a liderarem a mudança, identificando problemas locais e transformando a ciência em soluções práticas de desenvolvimento.

Em suma, a academia deve aproximar-se da realidade nacional para que o conhecimento faça sentido além-fronteiras das salas de aula. A ciência em Moçambique precisa de ter “cheiro a terra” e impacto tangível no dia a dia da população que ainda luta contra a pobreza extrema.

Acredita que o ensino superior moçambicano está de costas voltadas para a população ou concorda com o reparo feito pelo antigo Presidente? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo e participe na discussão!

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