Arbitragem: o Mundial 2026 vai declarar guerra ao anti-jogo
O Campeonato do Mundo de futebol que arranca nesta quinta-feira promete deixar muita gente confusa – pelo menos nos primeiros dias. Haverá posses de bola revertidas sem aparente motivo. Deveremos ter adeptos em fúria – e quiçá jogadores e treinadores. E vamos ter, possivelmente, equipas a jogarem com dez jogadores sem que ninguém tenha sido expulso.E por falar em expulsões… será má ideia tapar a boca – cortesia de Gianluca Prestianni, jogador do Benfica que estará a ver o Mundial no sofá, mas que poderá ter peso indirecto no que se passar na prova a nível disciplinar.Guerra ao anti-jogoA FIFA e o International Board delinearam as instruções para a temporada 2026/27 e a estreia em grandes competições será precisamente neste Mundial.A mais relevante, porventura por ser a mais comum, será a de punir equipas cujos jogadores demorem a executar recomeços de jogo – como lançamentos laterais ou pontapés de baliza.Quando o árbitro considerar que a demora é excessiva deverá iniciar uma contagem de cinco segundos. Caso o jogo ainda não tenha recomeçado no final dessa contagem, o pontapé de baliza será transformado em pontapé de canto para o adversário e o lançamento lateral será atribuído à equipa oposta.Haverá, ainda assim, alguma tolerância quando o árbitro considerar que será feito um lançamento longo para a área – momentos que geralmente requerem maior balanço, maior preparação e espera pelos centrais.Pedro Henriques, analista de arbitragem do PÚBLICO, elogia as medidas. “O objectivo não é penalizar, mas acelerar o jogo. Recuperar minutos de tempo útil de jogo, criando medidas dissuasoras para as perdas de tempo, com reposições de bola mais rápidas, controladas com a contagem visível dos segundos”, explicou à Lusa.E detalhou: “Num jogo de futebol há 40 a 50 reposições de bola, entre lançamentos de linha lateral e pontapés de baliza. Estas medidas significam um ganho potencial de cinco a sete minutos, com impacto directo na fluidez e intensidade do jogo”.
Substituições e lesõesAinda no combate ao anti-jogo, os jogadores passam a ter dez segundos para abandonarem o relvado – contados a partir do momento em que a placa com o respectivo número é exibida.Caso esse tempo não seja cumprido, o jogador substituto não pode entrar logo – a equipa ficará com dez jogadores durante um minuto e o substituto só pode entrar em campo na primeira paragem de jogo após esses 60 segundos.Também nas assistências médicas haverá uma alteração relevante. Um jogador que receba assistência médica deve ficar um minuto fora do terreno.As excepções são os guarda-redes, colisões de um jogador de campo com um guarda-redes, colisões entre dois colegas de equipa (seria muito penalizador a equipa ficar a jogar com nove), um jogador que vai bater um penálti ou lesões decorrentes de infracções punidas disciplinarmente – neste último caso, seria beneficiar um infractor que lesiona um adversário.VAR e Lei PrestianniFora da guerra ao anti-jogo há uma nova regra com potencial impacto decisivo nas partidas. A partir do Mundial, o VAR poderá intervir para ajudar o árbitro em casos de segundos amarelos.Até aqui, a intervenção VAR era limitada aos vermelhos directos, mas será estendida agora aos amarelos que resultem em expulsões erradas, permitindo ao árbitro de campo reverter um segundo amarelo exibido erradamente.Pedro Henriques também elogiou a medida. “A filosofia é corrigir erros claros, sem substituir o árbitro. O VAR não intervém em todas as faltas de jogador já amarelado, apenas quando o árbitro erra ao expulsar ou na identidade”, esclareceu.Menos relevante no jogo jogado, mas talvez mais relevante mediaticamente caso a regra seja aplicada, é a “lei Prestianni”.
A partir deste Mundial, haverá expulsão de qualquer jogador que cubra boca com a mão, o braço ou a camisola em situações de conflito, enquanto se dirige a um adversário.A regra surge após Prestianni, argentino do Benfica, ter estado na berlinda num jogo da Liga dos Campeões por alegadamente ter proferido insultos racistas a Vinícius Jr. – algo que ficou por provar porque o jogador tinha a boca tapada.As instâncias disciplinares decidiram, ainda assim, usar os insultos homofóbicos (admitidos por Prestianni) e a suspeita de insultos racistas para aplicar jogos de suspensão ao jogador: três na UEFA e dois na FIFA.



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