Ponte rodoferroviária no Douro terá dois tabuleiros. Saiba tudo

Ponte rodoferroviária no Douro terá dois tabuleiros. Saiba tudo

Ponte rodoferroviária no Douro terá dois tabuleiros. Saiba tudo


“A ponte será percorrida pelo comboio de alta velocidade no seu tabuleiro superior, e, no tabuleiro inferior, por veículos automóveis, peões e ciclistas, com uma disposição simétrica: as vias de circulação automóvel terão uma localização central no corte transversal, sendo duplamente ladeadas por zonas para uso de ciclistas e, exteriormente, para uso pedonal”, pode ler-se na memória descritiva e justificativa da ponte.

O documento, elaborado pelo consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto), e hoje consultado pela Lusa, faz parte do projeto de execução da linha de alta velocidade Porto – Lisboa, fazendo parte do troço Porto – Oiã (Oliveira do Bairro, Aveiro), que está em consulta pública desde segunda-feira até dia 29 de junho.
Segundo o projeto, “haverá duas vias com 3,25 m (metros) cada, um separador central com 1,00 m de largura, e passadiços em ambos os lados das vias”, tendo a ciclovia 1,50 metros e os passeios 2,25 metros, e tanto para o separador central como para a separação entre a rodovia e ciclovia/passeio, são propostas barreiras de betão do tipo New Jersey.
Do lado do Porto, serão conservados os fornos da antiga Fábrica de Louça de Massarelos, bem como a sua chaminé, que ficarão em redor de uma rotunda que dará início ou fim à travessia rodoviária, ciclável ou pedonal, que ocupará o atual espaço de um posto de combustível na Avenida Gustavo Eiffel.
O tabuleiro ferroviário superior terá 1.127,7 metros e o rodoviário inferior 690 metros de extensão, sendo ligados por várias torres, das quais duas em forma de ‘A’ cima do rio Douro com cabos de atirantamento para suportar o tabuleiro rodoviário, havendo ainda pilares em Gaia e dois pequenos na margem direita, já perto da margem portuense.
No Porto, a componente ferroviária ‘amarrará’ diretamente no viaduto de Campanhã a construir imediatamente antes da estação, junto à atual Linha do Norte e do acesso a São Bento, e em Gaia prolongar-se-á até à entrada do túnel sob a cidade, na zona de Gervide, concretamente na Rua Azevedo Magalhães.
A estação de Gaia terá os cais de embarque a sensivelmente 60 metros de profundidade acessíveis por elevador e escadas rolantes, e contará com acessos quer a sul, junto à rotunda de Santo Ovídio (com ligação ao cais nascente da estação de metro homónima) e, a norte, junto à atual estação de metro de D. João II, tendo duas grandes claraboias para deixar entrar luz natural.
O projeto não inclui a proposta de tornar Santo Ovídio numa praça, como está previsto no Plano de Pormenor para a zona, ou a alguma reconfiguração urbanística mais significativa em D. João II, mantendo-se o atual desenho viário com adição de arruamentos a nascente da Avenida da República, sendo visível na planta de inserção urbana que não é proposta uma continuidade pedonal nos vários acesso à estação, levando os passageiros a ter de atravessar as ruas.
Em D. João II, é proposto um edifício 68,75 metros de altura, um piso térreo e pisos subterrâneos para parque de estacionamento de 475 lugares, ocupando o lugar do atual estacionamento em terra, sendo a torre inserida numa praça que ficará rodeada pelo tráfego rodoviário, centro de um “grande interface” entre estação de alta velocidade, metro, táxis, tomada e largada de passageiros, “futuro Centro de Transportes, estacionamento para bicicletas e estacionamento subterrâneo”.
A entrada na estação, cuja praça estará a uma cota superior à rua nalguns pontos, “pode ser feita a partir de três posições distintas: a entrada a partir da Avenida da República marcada pela pala, a entrada norte a partir da Avenida D. João II, e ainda, a entrada a partir do arruamento a nascente”.
As obras do primeiro troço (Porto-Oiã, Oliveira do Bairro, Aveiro), parte da primeira parceria público-privada da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, devem arrancar este ano e têm prazo de conclusão previsto de 2030.
A ligação Porto-Lisboa em alta velocidade colocará as duas cidades a cerca de 01:15 de tempo entre si, e terá paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.
Deverá estar pronta na totalidade em 2032, tal como Porto-Vigo, com estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.
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