Pobreza cai mas 1/3 dos venezuelanos não consegue cobrir necessidades
A “Sondagem sobre as Condições de Vida — 2025 (Encovi), dá conta que em 2021 a pobreza total na Venezuela rondava os 94,5% e a pobreza extrema 76,6%.
No entanto, o documento adverte que a recuperação continua a ser insuficiente para reverter a deterioração social acumulada na última década e sublinha que uma parte significativa da população não dispõe de rendimentos suficientes para cobrir as necessidades básicas.
“A recessão económica, aliada à hiperinflação, contribuiu para o empobrecimento da maioria dos venezuelanos. No entanto, após a pandemia, verificou-se uma melhoria nos níveis de pobreza total nos agregados familiares”, explica.
Segundo o Encovi, “as medições de 2024 e 2025 revelam que a pobreza continuou a tendência de descida, situando-se perto dos níveis pré-crise”.
“Quanto aos níveis de pobreza extrema, é evidente a sua diminuição após 2021, mas ainda em uma em cada 3 famílias os rendimentos não são suficientes para satisfazer das necessidades alimentares”, explica.
O Encovi — 2025 revela ainda que o Programa de Alimentação Escolar (PAE) perdeu capacidade de resposta, beneficiando apenas 29% dos estudantes, convertendo-se numa das principais causas da deserção escolar.
Os dados dão conta de uma estagnação na cobertura educativa em 11.000 lares venezuelanos e que 1,2 milhões de crianças e adolescentes continuam fora do sistema escolar. Também que as famílias que migraram do setor privado para o público durante o pico da crise não conseguiram regressar, consolidando um sistema educativo maioritariamente estatal e com profundas carências operacionais.
Por outro lado, os dados demográficos dão conta que a população estimada da Venezuela é de 28,5 milhões de pessoas, um número que representa um défice de 5,5 milhões em relação às projeções feitas em 2015, quando se previa numa década ultrapassasse os 34 milhões.
A migração, o aumento da mortalidade e a queda da natalidade transformaram a pirâmide populacional, que hoje regista um idoso em cada sete venezuelanos e um rácio de dependência de 65 dependentes por cada 100 pessoas em idade ativa, um cenário que era esperado apenas para 2040, mas que o êxodo da população jovem antecipou 15 anos.
O país, segundo o Encovi, enfrenta agora o desafio de sustentar uma população envelhecida com uma força de trabalho reduzida e enfraquecida pelas condições socioeconómicas.
Por outro lado, “o acesso aos serviços básicos continua a ser um obstáculo à qualidade de vida”.
Embora 78% dos lares recebam água da rede pública apenas 19% dispõem de um abastecimento contínuo. Os restantes têm de lidar com horários intermitentes ou recorrer a camiões-cisterna e poços profundos.
Sobre o abastecimento de eletricidade, 39% dos lares sofrem interrupções durante várias horas ao dia, 35% algumas vezes por semana e 15% alguma vez no mês. Os apagões afetam a conservação de alimentos, a prestação de serviços e a conetividade.
O Encovi revela que além de afetar a higiene e a saúde dos venezuelanos, os apagões tornaram-se um obstáculo estrutural à aprendizagem, com 25% dos alunos a faltar às aulas por causa dos cortes de eletricidade ou a falta de água nas escolas.
Aumentou a brecha entre os setores mais ricos e os mais pobres. Nas classes mais favorecidas, o acesso a dispositivos tecnológicos e à conectividade permite um melhor acompanhamento pedagógico, enquanto nos lares em situação de pobreza extrema, o acesso à Internet ronda apenas 15% dos alunos.
A cidade de Caracas, perdeu a sua posição de privilegiada ao registar um cenário semelhante ao das zonas rurais, com os jovens entre os 18 e 24 anos a adiarem as inscrições nas universidades para se integrarem no mercado informal de trabalho.
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