A defesa de Jonathan Andic, o filho do fundador da Mango suspeito da morte do pai, divulgou um vídeo de Isak a cair dez meses antes da queda fatal que sofreu nas montanhas de Barcelona. As imagens, dizem os advogados de Jonathan, mostram como o empresário de moda não teria capacidade de reacção em caso de queda, contestando os argumentos da polícia catalã, que defende que, caso a queda tivesse sido acidental, Isak teria ficado com lesões nas mãos.E a autópsia não descreve quaisquer ferimentos consistentes com uma queda acidental de 100 metros, como a que vitimou Isak Andic a 14 de Dezembro de 2024. Todavia, a defesa argumenta que é perfeitamente possível que assim seja, já que os registos médicos do turco comprovam que este sofria de osteoartrite — uma doença degenerativa que desgasta a cartilagem das articulações — em ambos os joelhos, que “reduz o tempo de reacção a uma queda”.Para sustentar o argumento, entregaram em tribunal um vídeo de 20 de Fevereiro de 2024, quando Isak Andic foi almoçar com um grupo de empresários na sede da Mutua Universal, em Barcelona. As imagens, captadas por câmaras de segurança e divulgadas por jornais como o La Vanguardia ou o El País, mostram o dono da Mango a tropeçar e a cair junto à entrada do edifício, sem estender as mãos para amparar a queda, cuja gravidade é suavizada por um funcionário que segura Isak.Segundo a defesa, a osteoartrite degradava o equilíbrio do empresário e explicava o motivo por que não conseguia amortecer qualquer queda a tempo, sendo a descida “mais vertical” do que habitual. Os advogados entregaram um relatório de biomecânica, assinado pelo investigador Francisco Marco, que, ao analisar a queda na Mutua Universal, concluiu que também a queda de Montserrat pode ter acontecido sem envolvimento de terceiros.
?? Vídeo | La defensa usa una caída previa y la artrosis de Isak Andic para concluir que su muerte en Montserrat fue accidental pic.twitter.com/Sg2SvAIFtH— EL PAÍS (@el_pais) May 29, 2026
A linguagem corporal da queda do almoço em Barcelona foi recriada no local do acidente fatal nas montanhas com recurso a um manequim e através de reconstrução biomecânica em 3D, levando o investigador a determinar que as lesões reveladas na autópsia podem ser consistentes com um acidente.Já a polícia Mossos d’Esquadra acredita que a natureza da morte de Isak é suspeita, uma vez que não há provas consistentes com um “escorregão” numa pedra — o que, na opinião da juíza, reforça a tese de assassínio. Até porque, segundo testemunhas ouvidas pelo polícia, a doença nos joelhos nunca impediu o empresário de se exercitar ou de fazer caminhadas.Mas os detalhes da queda não são a única prova apresentada pelas autoridades no caso contra Jonathan Andic, que foi detido na semana passada e saiu em liberdade, depois de pagar a fiança de um milhão de euros. O antigo director da Mango Man esteve três vezes na montanha naquela semana, antes da caminhada com o pai, o que deverá justificar o argumento de premeditação do homicídio, quando for deduzida a acusação formal pelos procuradores da Catalunha.A polícia teve ainda acesso a mensagens trocadas entre ambos que mostram a tensão em torno do tema do dinheiro. Pouco antes da fatídica caminhada de Dezembro de 2024, Jonathan terá sabido da intenção do pai de “alterar o testamento” para criar uma fundação de solidariedade em seu nome. Foi numa tentativa de reconciliação que Isak Andic aceitou ir caminhar com Jonathan naquele sábado. Depois da sua morte, o filho nunca criou a dita fundação em nome do pai.Consequência da investigação, Jonathan Andic demitiu-se temporariamente do cargo de vice-presidente executivo da Mango, para o qual tinha sido nomeado em Janeiro de 2025, mas continua a reiterar a sua inocência. “Foi construída uma narrativa pública que é unilateral, tirada do contexto e distorcida, e que criou uma percepção de culpa que não tem qualquer relação com a realidade. Sei que desmontá-la vai exigir tempo, esforço e intensa dedicação.”A Mango, que se mantém numa trajectória de negócio ascendente, emitiu uma declaração de apoio a Jonathan Andic em que expressa a sua “total confiança de que o processo judicial será resolvido favoravelmente”, com “esperança” de que isso aconteça “o mais rapidamente possível”.
