Rússia e Ucrânia chegam a acordo para trégua de três dias e troca de prisioneiros
Vai mesmo existir um cessar-fogo de três dias na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que numa publicação nas redes sociais confirmou a trégua entre os dias 9 e 11 de Maio, para assinalar o aniversário da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazi na II Guerra Mundial.O cenário de um cessar-fogo estava a ser discutido há vários dias, com ambos os lados a comunicarem tréguas unilaterais e a trocarem acusações durante todo o processo. Esta sexta-feira, Donald Trump recorreu à rede social Truth Social para anunciar a suspensão de “todas as actividades militares” durante três dias. Foi também acordada uma troca de mil prisioneiros de cada país.”Esperemos que seja o início do fim de uma guerra muito longa, sangrenta e duramente travada. As negociações para pôr fim a este grande conflito, o maior desde a II Guerra Mundial, continuam, e estamos cada vez mais perto disso”, escreveu ainda Trump.
Em 2025, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciara uma trégua unilateral de três dias durante as comemorações do fim russo da II Guerra Mundial. Ao contrário do acordo deste ano, a pausa no conflito não foi acordada com Kiev.O Presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, confirmou o cessar-fogo e a troca de prisioneiros numa publicação na rede social X, antigo Twitter. Na nota publicada, Zelensky esclareceu a posição ucraniana quanto ao cessar-fogo, justificando a resistência de Kiev a uma trégua com o facto de o lado russo apenas estar preocupada com a parada militar na Praça Vermelha, em Moscovo.”Um argumento adicional a favor da Ucrânia na definição da nossa posição tem sido sempre a resolução de uma das principais questões humanitárias desta guerra – nomeadamente, a libertação dos prisioneiros de guerra. A Praça Vermelha é menos importante para nós do que as vidas dos prisioneiros ucranianos que podem ser trazidos de volta a casa”, escreveu Zelensky.
In recent days, there have been many appeals and signals regarding the setup for tomorrow in Moscow in connection with our Ukrainian long-range sanctions. The principle of symmetry in our actions is well known and has been clearly communicated to the Russian side. An additional…— Volodymyr Zelenskyy / ????????? ?????????? (@ZelenskyyUa) May 8, 2026
Na terça-feira, Kiev já tinha anunciado um cessar-fogo unilateral, desafiando a Rússia a fazer o mesmo. Tal não aconteceu, com os ucranianos a acusarem os russos de milhares de violações da interrupção do conflito proposta por Zelensky. Do seu lado, a Rússia acusou esta sexta-feira a Ucrânia de violar a trégua de dois dias que Putin anunciara durante a semana.O cessar-fogo agora acordado coincide com as comemorações da União Soviética sobre a Alemanha nazi, que o Kremlin comemora todos os anos com um desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo. É uma data muito importante do calendário político russo, e um dia em que Putin costuma marcar presença nas comemorações acompanhado de outros líderes mundiais. Nos últimos dias, os responsáveis ucranianos sugeriram várias vezes que a pressão russa para a trégua se devia ao receio do Kremlin de um ataque ucraniano às comemorações do Dia da Vitória, depois de um drone ter atingido um arranha-céus em plena capital russa no início da semana.Na publicação, Zelensky menciona primeiro o acordo “mediado pela parte americana” para “uma troca de prisioneiros na proporção de mil para mil”. “A Ucrânia está a trabalhar de forma constante para trazer de volta o seu povo, que se encontra em cativeiro na Rússia. Dei instruções à nossa equipa para preparar imediatamente tudo o que for necessário para a troca”, acrescentou, agradecendo “ao Presidente dos Estados Unidos e à sua equipa pelo seu envolvimento diplomático produtivo”.A Ucrânia tem insistido num cessar-fogo total e duradouro, de modo a criar condições para negociações de paz com a Rússia. No entanto, o Kremlin tem rejeitado todas as iniciativas. As conversações entre os dois países estão paralisadas há vários meses, em grande parte devido a um impasse quanto à região de Donetsk. Os russos exigem a retirada das tropas ucranianas de partes do território que Moscovo não conseguiu conquistar, mas Kiev recusa ceder áreas do país que ainda tem sob controlo.



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