Irão: Esforços diplomáticos intensificam-se para conseguir acordo de paz
Desde a noite passada que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, tem mantido conversações telefónicas com os seus homólogos da Turquia, Hakan Fidan, do Iraque, Fuad Hussein, do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, de Omã, Badr al-Busaidi, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que não adiantou mais pormenores.
Araqchi falou ainda telefonicamente com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a quem informou sobre o progresso das negociações de paz .
Hoje, em comunicado, o Qatar disse de que pediu aos Estados Unidos e ao Irão que respondam positivamente aos esforços de mediação do Paquistão para alcançar um acordo “sustentável” que ponha fim à guerra, impeça uma escalada e restaure a segurança no Golfo Pérsico.
Segundo o Qatar, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Mohammed bin Abdulrahman, coordenou esta posição em conversações telefónicas separadas com Arábia Saudita, Turquia e Jordânia.
O Qatar faz parte da poderosa aliança política e económica do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui também a Arábia Saudita, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e Omã. Os seus membros são aliados de Washington e alguns deles albergam importantes bases militares americanas no Médio Oriente.
Por esta razão, todos foram atacados com mísseis e drones iranianos durante a guerra, que começou a 28 de fevereiro, e as suas economias são das mais afetadas pelo bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, uma vez que dependem das exportações de petróleo e gás.
Na sexta-feira, o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que atua como mediador entre o Irão e os EUA, chegou a Teerão para discutir a mais recente proposta dos EUA para um acordo de paz.
A visita foi interpretada por alguns órgãos de comunicação social regionais como sinal de progresso nas negociações, embora o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, se tenha mostrado cauteloso em declarações à televisão estatal na sexta-feira.
“Não podemos dizer que chegámos a um ponto em que um acordo esteja próximo. A diplomacia leva tempo, e as partes estão a aproveitar todas as oportunidades para expressar os seus pontos de vista”, declarou Bagaei, que indicou que as negociações estão focadas no fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Já as negociações sobre o programa nuclear iraniano serão abordadas numa fase posterior a um possível acordo de paz.
Segundo meios de comunicação iranianos, a República Islâmica exigiu aos EUA o fim da guerra em todas as frentes, o levantamento das sanções, a libertação de bens iranianos congelados, indemnizações por danos de guerra e o reconhecimento da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz como pré-requisitos para um acordo inicial.
O presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu na sexta-feira que o Irão “nunca terá uma arma nuclear” e que o conflito “será resolvido em breve”.
Os Estados Unidos insistem até agora que o Irão deve entregar 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, perto do nível militar de 90%, além de aceitar severas restrições ao seu programa nuclear.
As partes mantêm ainda grandes divergências sobre o estreito de Ormuz, parcialmente bloqueado por Teerão desde os primeiros dias da guerra, ao que os EUA responderam impondo um bloqueio naval aos portos e navios iranianos na zona desde 13 de abril.
O Irão quer ainda cobrar portagens no trânsito marítimo através do estreito e defende a sua jurisdição sobre a passagem estratégica, onde alega que os navios devem obter autorização iraniana para navegar.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou na sexta-feira que não pode ser estabelecido um sistema de portagens numa via navegável internacional como o estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo e gás do mundo antes da guerra iniciada por Israel e pelos EUA contra o Irão em 28 de fevereiro.
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