Motivo religioso impede autópsia de mergulhadores nas Maldivas. Porquê?
Já foram recuperados os corpos dos cinco italianos que morreram na semana passada num acidente de mergulho nas Maldivas, contudo, as autópsias ainda não tiveram início — nem mesmo a de Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho natural de Pádua, que foi retirado da água logo na sexta-feira.
O corpo do gerente de operações da agência Albatros Top Boat, que coordenou o grupo, já está em Itália e a autópsia foi ordenada pela Procuradoria de Busto Arsizio, a pedido da Procuradoria de Roma, que coordena a investigação. A tarefa foi confiada ao médico legista Luca Tajana, do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Pavia, com a ajuda de um segundo consultor especializado em acidentes de mergulho.
A perícia aos restantes corpos também será realizada em Itália, já que não é comum realizarem-se autópsias nas Maldivas.
“No momento, não tenho conhecimento de nenhuma iniciativa desse tipo aqui nas Maldivas. É um país onde autópsias raramente são realizadas”, disse Damiano Francovigh, embaixador da Itália no Sri Lanka, ao jornal Il Messaggero.
O motivo é religioso: as Maldivas são oficialmente um país muçulmano sunita, e a tradição islâmica valoriza a preservação e a integridade do corpo após a morte.
Por isso, costumam evitar-se exames invasivos, salvo em situações judiciais muito específicas ou em casos que envolvam riscos para a saúde pública. Mesmo nessas circunstâncias, a prática ainda depende de autorização.
Assim sendo, também os corpos de Giorgia Sommacal e Muriel Oddenino, resgatados ontem, serão levados para Itália sem autópsia prévia.
Após a identificação dos corpos na morgue em Malé, capital das Maldivas, será iniciado o procedimento para os trasladar, afirmou o porta-voz do governo do país, Mohamed Hussain Shareef, à Reuters.
A Procuradoria de Roma abriu uma investigação por homicídio culposo e pretende realizar as autópsias assim que os corpos chegarem a Itália.
Os donos da Albatros Top Boat, a operadora turística de Verbania (Itália) que vendeu o pacote da excursãode mergulho que custou a vida aos cinco italianos, pode ser indiciada.
Os cinco turistas morreram numa excursão de mergulho em grutas submarinas no Atol de Vaavu, a sul da capital, Malé, não tendo regressado à superfície.
Entre as cinco vítimas deste acidente de mergulho, o pior que já aconteceu neste destino turístico do Oceano Índico, contam-se uma professora de biologia marinha, a sua filha e dois jovens investigadores, segundo a Universidade de Génova, onde os quatro estudavam ou trabalhavam.
As autoridades das Maldivas estão a investigar várias possíveis causas para a morte do grupo, incluindo a possibilidade de terem descido muito mais fundo do que o esperado.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália anunciou, na semana passada, que cinco compatriotas tinham morrido na sequência de um acidente ocorrido durante um mergulho no atol de Vaavu, nas Maldivas. “Os mergulhadores terão falecido ao tentarem explorar algumas grutas a 50 metros de profundidade. A investigação do acidente ainda está em curso pelas autoridades das Maldivas”, referiu em comunicado.
Os dois faziam parte do grupo de cinco italianos que que participavam numa excursão de mergulho em grutas submarinas no Atol de Vaavu, a sul da capital, Malé, não tendo regressado à superfície. Corpos já tinham sido localizados, mas ainda não tinha sido possível retirá-los da água.
Tomásia Sousa | 10:00 – 20/05/2026



Publicar comentário