Coreógrafo português regressa aos teatros alemães com "SHIFT.ER.S"

Coreógrafo português regressa aos teatros alemães com "SHIFT.ER.S"

Coreógrafo português regressa aos teatros alemães com "SHIFT.ER.S"


A obra será apresentada no Theater Krefeld und Mönchengladbach, num reencontro com o contexto artístico alemão onde o coreógrafo português desenvolveu parte importante da carreira.

“Mais do que um símbolo, vejo-o como um reencontro com um espaço artístico que fez parte do meu percurso e onde sinto que esta obra faz sentido existir neste momento da minha carreira”, salientou, em declarações à Lusa.
Nascido em Lisboa em 1974, Hugo Vieira formou-se na Escola Nacional de Bailado e prosseguiu estudos em Cannes com Rosella Hightower, antes de integrar a Companhia Nacional de Bailado e posteriormente o Ballet de Karlsruhe, na Alemanha.
Ao longo da carreira trabalhou com coreógrafos como William Forsythe, Jiri Kylian, Olga Roriz e Nacho Duato, tendo criado obras para companhias e teatros em vários países europeus.
Em 2011 recebeu o prémio alemão de Melhor Coreografia e, em 2014, foi distinguido pelo Ministério da Cultura da Mongólia pela obra “Heaven is Here”.
Segundo Hugo Vieira, “SHIFT.ER.S” explora temas ligados à transformação e adaptação.
“A peça fala sobre pessoas que estão constantemente a ajustar-se, a mudar, quase a sobreviver dentro dessa mudança”, explicou.
A criação trabalha sobretudo através de “atmosferas, imagens e sensações”, acrescentando que existe “tensão, fragilidade e alguma solidão, mas também resistência”.
“Interessa-me que o público sinta a obra mais do que a tente interpretar racionalmente”, realçou.
O coreógrafo considera que a experiência artística continua a ser um espaço de resistência num contexto marcado pela rapidez e excesso de informação.
“O movimento interessa-me quando revela algo humano, vulnerável ou contraditório. É isso que me mantém artisticamente ativo”, sustentou.
Hugo Vieira acredita que a presença de artistas portugueses no estrangeiro se tornou mais visível nos últimos anos, embora admita que muitos procurem oportunidades fora de Portugal por falta de estruturas de apoio duradouras.
“Vejo artistas portugueses com uma identidade muito forte, grande capacidade de adaptação e uma qualidade artística cada vez mais reconhecida fora do país”, apontou.
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