Pilotos alertam para risco de instabilidade laboral se Lufthansa entrar na TAP
O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Hélder Santinhos, afirmou esta quarta-feira que poderá haver “um problema na estabilidade laboral” da TAP se a Lufthansa ganhar a privatização da companhia aérea, que está a ser disputada com a Air France-KLM.Numa conferência organizada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) para debater o tema da privatização, o presidente do SPAC vincou que a “relação da Lufthansa com os sindicatos é péssima”, dando o exemplo da falta de acordo entre os pilotos alemães reunidos no Vereinigung Cockpit (VC).Os pilotos alemães, diz, têm feito greves por falta de actualização de um fundo pensões, com a Lufthansa a “negar a disputa em tribunal arbitral”. Essa actuação, defendeu, leva a acreditar que faça parte “de uma estratégia para enfraquecer o poder reivindicativo dos sindicatos”.A mensagem foi passada do Governo pelo SPAC, que, em Abril, já tinha criticado em comunicado a forma como a Lufthansa “terminou de forma abrupta e unilateral o acordo sobre os dias de actividade sindical com os representantes do VC”. “Preocupa-nos particularmente o facto de a Lufthansa ser um potencial futuro accionista da TAP”, afirmou então o sindicato.No encontro desta quarta-feira, que reuniu também representantes do SITEMA (sindicato ligado à manutenção), SITAVA (pessoal de terra) e outro sindicato dos pilotos, ligado à Portugália (SIPLA), a privatização foi o tema central da conversa, com o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, a questionar a forma como se apresenta a opção como sendo uma “inevitabilidade”.Para este responsável sindical, este não é o timing certo para abrir o capital da empresa estatal, seja pela conjuntura internacional menos propícia, seja porque a TAP tem dado resultados positivos após a aplicação do plano de reestruturação (que afectou os trabalhadores de forma negativa).Trabalhadores postos “à margem”A gestão pública, vincou, “não é necessariamente má”. O presidente do SNPVAC destacou ainda, de forma negativa, o facto de os trabalhadores estarem a ser “postos à margem” deste processo pelo Governo, uma posição que foi acompanhada pelos outros sindicatos. Um dos receios é a forma como a TAP será incorporada num dos dois grupos de aviação, bem o como o tipo de exigências que Bruxelas poderá fazer para autorizar a entrada de um grande grupo na companhia portuguesa.Por parte do SPAC, este não se opõe nem defende a privatização. Apesar de tudo, diz o seu presidente, “o que a experiência nos diz é que conseguirmos trabalhar melhor com os privados do que com o Estado”, até por causa da necessidade de investimento. E, se houver privatização, o modelo com accionistas públicos e privados deve ser evitado. A haver privatização, “preferíamos que fosse a 100%”, sublinhou.Do lado oposto ficou Paulo Duarte, do SITAVA, defendendo que, “até hoje, ainda não houve nenhuma privatização em que os trabalhadores tenham ficado melhor”. O timing, afirmou, “é desastroso”, preferindo deixar “ficar tudo como está”.“A [questão da] competência é muito mais importante do que ser público ou privado”, considerou este responsável sindical. Apesar de tudo, destacou que o modelo da Air France-KLM, com accionistas estatais, é o que “protege melhor quem trabalha na TAP ou os trabalhadores em geral”.Ricardo Medina, do SITEMA, chamou a atenção para a necessidade de investimento e captação de pessoas qualificadas, defendendo que não há uma opção preferencial deste sindicato por um accionista público ou privado. “Queremos boa gestão”, disse.Tiago Oliveira, presidente do SIPLA, considerou que, se as condições certas estiverem reunidas, “a privatização poderá ser um caminho a seguir”. No entanto, vincou, “não nos podemos pronunciar sem saber” o que será a TAP com um novo accionista.



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