Professores exigem explicações sobre digitalização de exames, ministro fala de “alarmismo”

Professores exigem explicações sobre digitalização de exames, ministro fala de “alarmismo”

Professores exigem explicações sobre digitalização de exames, ministro fala de “alarmismo”

O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) insiste que há “opacidade em torno do processo de digitalização das provas e exames nacionais” que se vão realizar este ano e ameaça recorrer à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) se o ministério de Fernando Alexandre não der respostas. “Professores, alunos e encarregados de educação têm o direito de saber como decorrerá este novo modelo, que entidades terão acesso às provas e se existem, ou não, entidades externas envolvidas no processo de digitalização”, diz em comunicado. O ministro já respondeu às preocupações: fala de “alarmismo”.Em declarações à TSF, Fernando Alexandre disse que continuam a estar envolvidas na operação dos exames nacionais “entidades com muita experiência”, e que “Portugal é exemplar nesta matéria”. “Por isso, é só alarmismo.”Acrescentou que “as escolas vão ter todas as informações” necessárias, antes de os exames arrancarem, em Junho.A 23 de Abril, numa resposta ao PÚBLICO o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) tinha alegado questões de segurança para não dar detalhes sobre o processo: “No âmbito da digitalização das folhas de resposta dos alunos, para efeitos de classificação electrónica, o MECI assegura o cumprimento de todas as condições de segurança, confidencialidade e integridade aplicáveis”, informou na altura. “Por essa razão, não será divulgada informação adicional sobre os respectivos procedimentos administrativos e operacionais, uma vez que a sua publicitação poderá comprometer a segurança das provas, interferir com o processo de digitalização e, consequentemente, prejudicar a avaliação externa e os alunos.”Em causa estão algumas das mudanças previstas para este ano. Os exames, depois de feitos pelos alunos, terão de ser enviados para um centro de digitalização do Júri Nacional de Exames (no caso das provas de 3.º ciclo), “desconhecendo-se procedimentos, circuitos, entidades envolvidas e, em muitos casos, até a morada para onde serão remetidas milhares de provas”, diz o comunicado da MEP.


No caso do secundário, os exames serão transportados pelas forças de segurança para os agrupamentos de exames, “sem que se saiba onde serão digitalizados”.”Ao longo de décadas, sempre foram conhecidas as entidades envolvidas nos processos de realização, transporte e classificação de provas, sem que tal colocasse em causa a segurança ou integridade das avaliações”, explica Cristina Mota, porta-voz deste movimento, que diz que tem sido questionada sobre o assunto por professores e alunos.”O tema continua a ser desvalorizado pelo MECI e está presente nas preocupações que nos chegam”, prossegue a professora. “Consideramos, por isso, avançar para a CADA”, a entidade que zela pelo cumprimento do acesso à informação administrativa.Já Fernando Alexandre entende que o processo de digitalização deste ano trará várias vantagens. “Teremos uma avaliação mais rigorosa, mais objectiva, mais equitativa”, garantiu à TSF.Enquanto, no passado, o mesmo professor avaliava todo um exame, agora, cada professor avaliará uma pergunta de vários exames, o que quer dizer que “o efeito do professor na correcção, que existe sempre e que muitas vezes introduz viés na avaliação, será diminuído ou até eliminado”, explicou Fernando Alexandre. Além de que haverá ganhos de eficiência, disse, e maior facilidade de produzir estatísticas sobre a avaliação, uma vez que todas as respostas são digitalizadas.A MEP tem outra visão: “O novo modelo poderá ter consequências significativas no próprio processo de classificação e aumentar a conflitualidade associada aos resultados dos exames. Uma vez que cada professor classificador dos exames do ensino secundário passa a corrigir apenas itens isolados, deixando de ter acesso à totalidade da prova do aluno, deixa também de ter lugar a habitual revisão associada a classificações limiares, como acontece, por exemplo, com provas classificadas com 94 pontos.” Admite, por isso, um aumento significativo dos pedidos de reapreciação e revisão de provas.

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