No meio dos destroços de Gaza, há vestidos de noiva usados a ganharem uma segunda vida

No meio dos destroços de Gaza, há vestidos de noiva usados a ganharem uma segunda vida

No meio dos destroços de Gaza, há vestidos de noiva usados a ganharem uma segunda vida

Numa pequena oficina de costura no Sul de Gaza, Nisreen Al-Rantisi retira tecido de uma pilha e dá nova vida a vestidos de noiva usados, tentando manter viva uma tradição em declínio no meio da guerra e da subida acentuada dos custos. As famílias têm tido dificuldade em encontrar vestidos de noiva novos e muitas procuram, em vez disso, locais que renovem vestidos e outro tipo de roupas para os seus filhos.

Os importadores apontam os atrasos, os elevados custos de transporte e as restrições sobre materiais — como os cristais incrustados nos elaborados vestidos de noiva — como factores principais por detrás da escassez e do aumento dos preços. Muitos ateliês também ficaram destruídos durante a guerra.

“Tentamos reutilizar os vestidos antigos que temos, reaproveitá-los arranjando-os um pouco, trabalhando neles, lavando-os, organizando-os, dando-lhes forma”, diz Rantisi, acrescentando que inicialmente o trabalho dependia de uma máquina de costura movida com recurso a bicicleta devido à falta de electricidade. Rantisi afirma que, antes da guerra, comprava o tecido por cerca de 120 a 150 shekels (35 a 43 euros), mas agora paga cerca de 500 shekels (145 euros). “Isto provocou um grande aumento no custo dos vestidos de noiva e dos vestidos de criança. Estamos a viver num círculo vicioso causado pela guerra que nos afectou”, acrescenta.

O COGAT, a agência militar israelita que controla o acesso a Gaza, não respondeu a um pedido de comentário.

A maior parte dos mais de dois milhões de habitantes de Gaza foi deslocada, vivendo agora em casas bombardeadas e tendas improvisadas montadas em terrenos abertos, bermas de estrada ou sobre as ruínas de edifícios destruídos após dois anos de ataques israelitas. Apesar das dificuldades, alguns casais continuam a encontrar formas de celebrar, com casamentos colectivos realizados em Gaza que oferecem um raro momento de alegria no meio da devastação.

Os trabalhadores das lojas dizem que a guerra fez disparar os preços para níveis incomportáveis. “Antes da guerra, os preços eram acessíveis para toda a gente”, garante Rawan Shalouf, funcionária de uma loja de vestidos de noiva. “Mas agora, dadas as circunstâncias em que vivemos, o preço de um vestido é absurdo.”

Por toda Gaza, noivas e famílias têm dificuldade em pagar até as necessidades mais básicas para um casamento. Shahed Fayez, de 21 anos, vai casar dentro de cerca de quatro dias e tem procurado um vestido em vão. “Não me importo com o estilo, o importante é que seja novo”, diz. “O vestido mais barato custa mil dólares ou mais, isso é o mínimo. E nós temos menos de 200 dólares. Todo o dote nem sequer cobre o preço de um vestido.”

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